Trump em guerra contra not�cias

Trump em guerra contra not�cias

Como quase todo líder populista, Donald Trump avança contra a liberdade de imprensa desde o seu primeiro mandato (2017-2021). Agora, o ataque a esse princípio fundamental das democracias liberais assume alcance sem precedente na história recente dos Estados Unidos. Na sexta (18), o republicano anunciou que proibiu o acesso da emissora CNN, do site Politico e da rede MS NOW à Casa Branca; no dia seguinte, jornalistas desses veículos foram barrados na entrada da sede do Executivo. Após o episódio, os três processaram o governo, alegando violação da Primeira Emenda, que protege as liberdades de expressão e de imprensa, e do devido processo legal, já que não foram avisados nem tiveram oportunidade de contestar a medida. Há anos, ABC, CBS, CNN, Fox News e NBC compartilham a cobertura televisiva dos eventos presidenciais. Em apoio à CNN, as emissoras anunciaram a interrupção da cobertura conjunta. Trump alegou, sem apresentar nenhuma evidência, que esses veículos "reportam notícias falsas" e "escrevem notícias negativas de propósito porque querem tentar diminuir os republicanos". O governo elencou ações de gestões democratas para respaldar a medida. Mas os casos, como restrições a veículos em coberturas compartilhadas (pool) em cidades e eventos específicos, não chegam perto da gravidade de proibir acesso à Casa Branca, ainda mais invocando como motivo a discordância com as notícias. Segundo especialistas na Primeira Emenda, a Casa Branca não é obrigada a abrir todos os seus espaços a toda a imprensa —segurança e capacidade podem fundamentar restrições ao Salão Oval, por exemplo. Contudo, uma vez criado um sistema de acesso para jornalistas, não se pode selecionar quem entra com base no conteúdo da cobertura, já que isso colide com a proibição constitucional de discriminação por ponto de vista assentada em jurisprudência da Suprema Corte dos EUA. Trump é epítome de um modelo populista que corrói as instituições lentamente e se espraia pelo mundo. No Brasil, Jair Bolsonaro (PL) foi pródigo em ataques a jornalistas. Recorde-se que esta Folha, O Estado de S. Paulo e O Globo deixaram de fazer a cobertura no chamado cercadinho do Palácio da Alvorada devido a agressões verbais e falta de segurança. "Imprensa é oposição", dizia Millôr Fernandes. Barrar a presença de repórteres nos centros de poder porque as notícias desagradam o governante é uma excrescência autoritária no berço da democracia moderna. editoriais@grupofolha.com.br

Original Source

Read the full article at Www1 →

KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.