Passados sete meses da guerra entre EUA e Irã, Donald Trump rejeitou a nova proposta de acordo de Teerã, no último sábado (26). Ambos os lados sinalizam ter fôlego para prosseguir com as hostilidades. O poderio militar americano, mesmo com a queda nos estoques de munições, continua insuperável e à disposição de um governo pouco afeito a submeter suas operações ao Senado. Combalido economicamente antes mesmo do início dos ataques, o Irã maneja seu poderio sobre vias marítimas essenciais ao comércio de combustíveis. Seus aliados iemenitas, os houtis, atuam no bloqueio do estreito de Bab el-Mandeb. Este é outro gargalo das rotas energéticas da região, além do estreito de Hormuz, por onde passaram 25% do comércio mundial de petróleo e 19% do de gás natural liquefeito em 2025, segundo órgão de pesquisa do Congresso dos EUA. Em setembro, o preço do barril de petróleo voltou a superar US$ 100 pela primeira vez desde julho; antes da guerra, em fevereiro, o valor rondava US$ 72. Tampouco há sinais de que os ataques iranianos a bases americanas no Oriente Médio e à infraestrutura petrolífera dos aliados árabes dos EUA tenham se esgotado. Em paralelo, a decisão do Pentágono de remover as últimas tropas americanas do Iraque, na quarta (30), motiva potencial inclusão do governo xiita de Bagdá na órbita de influência de Teerã. A recusa da teocracia em prosseguir com as negociações de paz com os EUA, em julho, e o consequente fim do cessar-fogo —descumprido por ambos os lados— já emitira um alerta ao mundo. Mas a rejeição à nova proposta de conciliação de Teerã —definição dos termos de paz em sete dias, com subsequente início das negociações do seu programa nuclear— indica que Trump só conversará com o Irã quando o regime dos aiatolás acatar suas exigências e recuar nas demandas. Negociar, contudo, seria oportuno ao republicano, levando em conta as eleições legislativas no país em novembro e a sua popularidade, que erodiu na medida em que a inflação e a taxa de juros avançaram com a guerra. Ademais, pressionada a alavancar crescimento econômico pela via do consumo interno, a China precisa do petróleo aos preços pré-guerra e não pode abandonar seu aliado, o Irã. Assim, quanto mais longo for o conflito, maiores os riscos de Xi Jinping ter seus atritos com Trump agravados. Enquanto o americano se aferra a um sonho de vitória incontestável, o mundo sofre os efeitos nefastos de uma guerra mal calculada já em sua origem. editoriais@grupofolha.com.br
Trump condena o mundo a guerra sem fim
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