O governo alemão anunciou nesta quarta-feira (9) o adiamento de uma ligação telefônica prevista entre o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcada para tratar do aniversário dos atentados de 11 de Setembro. O adiamento vem um dia depois de Trump comemorar publicamente a vitória do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD, na sigla germânica) nas eleições regionais da Saxônia-Anhalt. Não foi marcada uma nova data para a conversa, e o porta-voz do governo alemão não informou o motivo do adiamento. O republicano comemorou a vitória do partido em um post em sua plataforma, Truth Social, na terça (8). "Uau! O partido populista na Alemanha acabou de ter uma grande noite", escreveu Trump. Na mensagem, também criticou as "absolutamente horríveis políticas de imigração" da Alemanha. O republicano encerrou sua mensagem com a sigla "MGGA", em referência à expressão "Make Germany Great Again" (Faça a Alemanha Grande Novamente), uma variação de seu próprio slogan Maga (Make America Great Again). A AfD, partido anti-imigração que defende uma reaproximação com a Rússia, obteve cerca de 44% dos votos, ante 17% da União Democrata Cristã (CDU), legenda conservadora que governava o estado da Saxônia-Anhalt, no leste da Alemanha. O resultado representa uma grande derrota para a CDU, que governa o país sob o comando de Merz e até então controlava o governo regional. Figuras próximas a Trump já haviam celebrado a vitória da AfD, entre elas um ex-embaixador dos EUA na Alemanha e o bilionário Elon Musk. Apoiador de longa data da legenda, o dono da Tesla foi um dos primeiros a comemorar o resultado. Em resposta a uma publicação de Alice Weidel, copresidente nacional da AfD, na rede social X, escreveu: "Muito bem". Em um discurso no Parlamento nesta quarta, Merz acusou a AfD de apoiar a Rússia em detrimento dos interesses alemães e de defender políticas anti-migração equivalentes a uma "limpeza étnica". O premiê se refere a um discurso anterior de Weidel em defesa da "remigração", termo usado pela ala mais radical do partido para o repatriamento em massa de imigrantes e de seus descendentes, incluindo pessoas com cidadania alemã. "Se o que está sendo defendido aqui, a chamada 'remigração', se tornasse realidade, não seria nada além de um sinônimo de limpeza étnica com base na origem e na cor da pele", disse Merz. Em email à Reuters, a AfD afirmou que Merz estava deturpando deliberadamente a posição do partido para demonizá-lo, e disse que suas políticas estão dentro da lei. A derrota eleitoral de domingo e a impopularidade de Merz colocaram em dúvida sua permanência no cargo e o programa de reformas do governo, mas o chanceler descartou qualquer sugestão de renúncia. Cada vez mais popular no país, a AfD é considerada pelos serviços de inteligência da Alemanha como um "partido de extrema direita comprovada". A sigla contesta a classificação em âmbito federal, mas já perdeu disputas semelhantes em diversos estados, inclusive em Saxônia-Anhalt.
Trump celebra vit�ria da extrema direita na Alemanha, e liga��o com Merz � adiada
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