O Dia Nacional do Voluntariado, celebrado nesta sexta-feira (28), acompanha o crescimento da participação da atividade no país: três em cada cinco brasileiros, já foram voluntários ao longo da vida. Chega-se ao maior percentual da série que, em 2001, na sua primeira edição, registrou 18% da população com experiência em voluntariado. Em 2011, o número chegou a 25%, e, na edição passada, em 2021, o índice registrado foi de 56%. O dado é da "Pesquisa Voluntariado no Brasil 2026", realizada pelo Datafolha em 137 municípios, ouvindo 2.004 pessoas a partir de 16 anos. Ao completar 25 anos de acompanhamento da prática no país, o levantamento também aponta que 60 milhões de brasileiros, o equivalente a 35% da população, são voluntários ativos no país. Entre estes, 19 milhões afirmam realizar a atividade com frequência definida, enquanto 41 milhões fazem trabalho voluntário de maneira eventual. "Ao longo das últimas décadas, mudanças sociodemográficas, como o aumento da escolaridade e da idade média da população, caminham ao lado do crescimento da atividade voluntária", explica Luciana Chong, diretora geral do Instituto Datafolha. "Mas um dos achados mais relevantes é a consolidação de voluntários ativos: hábitos solidários despertados em momentos de crise perpetuam-se e fortalecem a cultura do voluntariado no país." Silvia Naccache, coordenadora da Pesquisa Voluntariado no Brasil", destaca a importância do voluntariado empresarial como porta de entrada para o engajamento social. "Em um país onde cresce a disposição das pessoas para participar, as empresas têm a oportunidade de liderar esse movimento, ampliando programas, conectando colaboradores às causas e gerando benefícios para a sociedade, para os territórios e para os próprios voluntários", afirma. Apesar do crescimento da parcela de pessoas que já tiveram alguma experiência com voluntariado, 65% da população afirmam ainda não participar de nenhuma atividade na área atualmente. A falta de tempo é o motivo mais citado (52%). Outros 12% dizem não saber por onde começar ou desconhecer organizações ou projetos que desenvolvem esse tipo de trabalho, 9% relataram a falta de convite para participar e 7% apontam a falta de recursos financeiros ou materiais como justificativa. Ainda assim, 42% afirmam ter interesse em começar a realizar algum tipo de serviço voluntário. Por faixa de renda, 53% dos voluntários recebem até dois salários mínimos. Outros 33% têm renda entre dois a cinco salários mínimos, 8% mais de cinco a dez salários mínimos e 3% acima de dez salários mínimos. Entre os que realizam ou já realizaram trabalho voluntário, 50% participaram de ações relacionadas ao combate à fome, à pobreza e desigualdade. É o caso de Patricía Pires, que completa um ano como voluntária ativa na SP Invisível —organização que presta assistência para população em situação de rua em São Paulo. A pedagoga de 37 anos, afirma que os ensinamentos obtidos durante o voluntariado a ajudaram a desenvolver habilidades essenciais para a sua profissão. A primordial, segundo ela, é a empatia. "É preciso ter aquele olhar diferenciado, porque cada criança é de uma forma. Na rua olhamos nos olhos da pessoa e conseguimos nos colocar no lugar dela. Na pedagogia, precisamos nos colocar na realidade do outro para passar o ensinamento que queremos que a criança aprenda", compara. Outros 24% participam de atividades ligadas à saúde, enquanto 22% atuam em iniciativas voltadas a educação e 17% ao bem-estar animal. A maioria dos voluntários ativos atua por conta própria, 83% afirmam participar de iniciativas de forma independente, em 2021, eram 76%. Outros 9% realizam atividades por meio de empresas, ante 10% em 2021. A participação por instituições religiosas caiu de 7% para 4% entre 2021 e 2026. Já 2% atuam por meio de ONGs ou associações, mesmo percentual registrado em 2021. A solidariedade segue como a principal motivação para a prática do voluntariado entre os entrevistados (74%), índice que cresceu continuamente ao longo das edições da pesquisa. O percentual era de 69% em 2011 e passou para 73% em 2021. É esse princípio que move Neide Fontes de Oliveira, 77, voluntária há 27 anos no Instituto Heleninha, organização que oferece transporte gratuito a crianças com câncer e em situação de vulnerabilidade social em São Paulo. "A solidariedade é que o que nos move, porque o ser humano precisa do ser humano. Ter esse olhar para o outro é gratificante demais", afirma ela. Neide iniciou sua trajetória com o voluntariado em 1979, aos 30 anos, quando passou a contribuir com o Movimento Bandeirantes, grupo de escoteiros do qual sua filha participava na Igreja da Paz, na zona sul da cidade. Ao perceber a precariedade da estrutura utilizada pelos jovens, ela buscou maneiras de melhorar as condições do grupo. Com a ajuda de outros responsáveis e das próprias escoteiras, organizou eventos gastrônomicos, como noites de sopas e até uma noite italiana para levantar fundos. "As barracas que as meninas usavam em acampamento estavam quebradas, os utensílios domésticos também. Então eu comecei a pensar em como juntar dinheiro para poder reformar as coisas. Foi muito bom e até hoje segue lá", relembra. Em 1999, Neide conheceu o Instituto Heleninha e passou a integrar o grupo de voluntários responsáveis pela organização do bazar que arrecada parte dos recursos da instituição. "Atendemos em São Paulo, no extremo da zona Sul e e Leste. Hoje, o bazar representa 30% da arrecadação da associação", afirma. Depois da solidariedade, as motivações religiosas apareceram em segundo lugar, citadas por 11% dos entrevistados. O desejo de fazer a diferença ou melhorar o mundo, foi apontado por 9%. Entre o perfil dos voluntários ativos no Brasil, 51% são mulheres e 49% homens. Em relação à escolaridade, 38% têm ensino médio, 36% concluíram o ensino fundamental e 30% têm ensino superior, enquanto 47% dos entrevistados se declaram pardos, 34% brancos e 15% pretos.
Tr�s em cada cinco brasileiros j� realizaram algum trabalho volunt�rio, aponta Datafolha
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