Esta é a edição da newsletter China, terra do meio desta terça-feira (8). Quer recebê-la toda semana no seu email? Inscreva-se abaixo: China, terra do meio Receba no seu email os grandes temas da China explicados e contextualizados O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, desembarcou na Colômbia nesta terça-feira (8) para se reunir com Abelardo de la Espriella, novo presidente do país. A pauta oficial inclui a assinatura de acordos sobre minerais críticos e a cooperação nuclear civil. O foco é frear o avanço da influência chinesa na região. O encontro sela uma guinada estratégica no país sul-americano. Sob o governo de Gustavo Petro, a Colômbia havia aderido formalmente à Nova Rota da Seda em 2025. Agora, De la Espriella adota uma postura abertamente pró-Washington endossada por Donald Trump, os americanos buscam consolidar esse alinhamento regional, pressionando Bogotá sobre investimentos chineses em infraestrutura e cobrando a destruição de campos de coca. Estatais da China operam projetos vitais na Colômbia, como a construção da primeira linha do metrô de Bogotá (avaliada em US$ 4,3 bilhões). Como contrapartida ao alinhamento de segurança e por ter recusado a ajuda humanitária chinesa após o terremoto em agosto, De la Espriella deve pedir a Rubio a suspensão de tarifas de 12,5% sobre exportações colombianas para mitigar os danos econômicos do desastre. Por que importa: a visita à Colômbia inaugura a ofensiva diplomática do governo Trump para desidratar a presença de Pequim no continente. O roteiro de Rubio inclui Equador e Peru, palcos de pesados aportes chineses em hidrelétricas e portos de águas profundas. Ele mostra que os EUA usam assistência a desastres e alívio tarifário como ferramentas explícitas de barganha geopolítica. Para os líderes latino-americanos, o recado é de que o alinhamento com Washington exigirá revisão prática de compromissos logísticos e tecnológicos assumidos com a China nos últimos anos. Isso transforma a diplomacia da região em um delicado jogo de equilíbrio entre interesses nacionais e preocupações de segurança. pare para ver "Montanha sob as nuvens de verão", obra do famoso pintor Zhang Daqian. Considerado o "Picasso chinês", Zhang chegou a morar no interior de São Paulo e sua vida virou documentário. Saiba mais sobre ele nesta reportagem da Folha aqui. o que também importa ★ EUA acusaram empresas chinesas de IA de promoverem atividades "agressivas e em escala industrial" de apropriação tecnológica. Segundo comunicado conjunto de três agências americanas, a China tem ampliado a prática de "destilação", que consiste em treinar modelos menores de inteligência artificial utilizando os dados e resultados gerados por sistemas maiores e mais caros. A manobra é utilizada para reduzir drasticamente os altos custos associados ao desenvolvimento de novas ferramentas, prática que Washington agora enquadra como roubo de tecnologia. A embaixada da China nos EUA não respondeu às alegações. ★ Pequim ordenou um novo arcebispo em Chongqing, que ocupará a vaga aberta desde 2001. O padre Andrew Ding Yang é o 18º bispo nomeado sob o acordo entre o Vaticano e a China, que garante ao papa o poder de veto sobre os candidatos. Renovado até 2028, o pacto tenta unificar a Igreja no país, anteriormente dividida entre a associação controlada pelo Estado e a comunidade clandestina leal a Roma. Apesar de Pequim ter escolhido dois bispos unilateralmente no período de vacância após a morte do papa Francisco, Leão 14 aprovou os nomes posteriormente, sinalizando a intenção de manter o diálogo entre os dois Estados a despeito da aversão de parte da Santa Sé (que até hoje mantém relações com Taiwan e não com a China continental). ★ Nicarágua dribla sanção dos EUA à mineradora chinesa. Após Washington sancionar a Nicaragua Xinxin Linze, o governo nicaraguense autorizou uma "empresa-irmã", a Linze Excelente Mineria, a explorar ouro por 25 anos. Ambas dividem os mesmos representantes legais. A nova firma poderá usar bancos americanos e exportar o metal. Washington acusa o setor minerário do país de criar empresas de fachada para lavar dinheiro e financiar paramilitares pró-governo. Segundo ambientalistas, empresas da China já detêm concessões em quase 10% do território da Nicarágua, muitas sobrepondo-se a terras indígenas. O ouro é a principal fonte de renda do país e rendeu US$ 1,97 bilhão no último ano. fique de olho A Comissão Europeia estabeleceu um prazo até o início de outubro para que Pequim apresente medidas concretas capazes de frear o crescente desequilíbrio comercial entre o bloco e a China. O comissário de Comércio da União Europeia, Maros Sefcovic, disse nesta terça que planeja viajar à China no próximo mês e exigir a criação de projetos "piloto" que comprovem a disposição do governo chinês em cooperar nas negociações. A pressão de Bruxelas ganha tração após o déficit comercial europeu com a China bater a marca de € 360,6 bilhões, ou R$ 2,13 trilhões, em 2025. A cifra representa um salto de 15% em relação ao ano anterior e foi agravada por um novo avanço de 9% no primeiro semestre de 2026; O bloco acusa o país asiático de inundar o mercado europeu com veículos elétricos, baterias, maquinários e produtos químicos graças a um modelo de "excesso de capacidade industrial". Além disso, os europeus cobram o fim das restrições chinesas à exportação de insumos críticos, como terras raras e chips. Já o governo chinês rejeita a tese de desequilíbrio, classificando as queixas europeias como uma manobra protecionista. Sefcovic admitiu que o rombo bilionário não será resolvido em uma única rodada de conversas, mas alertou que, se a via diplomática falhar, a pressão política interna forçará a Europa a buscar "outras soluções" para proteger sua economia. Por que importa: a Europa está alterando seu tom nas negociações diplomáticas ao exigir provas rápidas e tangíveis de reciprocidade comercial. Ao invés de debates amplos, a imposição de um teste prático de boa vontade antes do fim do ano sinaliza que a paciência de Bruxelas com diálogos inconclusivos se esgotou. Se Pequim não fizer concessões táticas, a UE terá o respaldo político necessário para endurecer sua guerra tarifária e se alinhar ainda mais às barreiras agressivas já impostas por Washington, o que pode fraturar de vez as cadeias globais de suprimento. para ir a fundo O Instituto CPFL recebe até o dia 20 de outubro a exposição imersiva "A Grande Muralha da China". A experiência combina cenografia, projeções, instalações artísticas e recursos interativos para contar a trajetória do monumento desde suas origens até os dias atuais. Interessados podem visitar a sede do instituto em Campinas de segunda a sexta, das 8h às 17h; sábados, das 10:00 às 16:00. O Instituto Confúcio na Unesp vai receber no próximo dia 16 a escritora chinesa Lu Min, para debater o processo criativo por trás de "Jantar Para Seis", obra vencedora do Prêmio de Literatura do Povo, um dos mais importantes da literatura chinesa contemporânea. A entrada é gratuita, mas os interessados precisam confirmar presença neste post no Instagram. Estão abertas as inscrições para o X Seminário "Pesquisar a China Contemporânea". O evento vai reunir pós-graduandos e jovens pesquisadores dedicados aos Estudos sobre a China na edição que neste ano acontece na Unicamp no fim de setembro. Saiba mais aqui.
Tour de Rubio refor�a ofensiva dos EUA contra a China na Am�rica Latina
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