Tor�o para o seu time. Voc� me elege para presidente?

Tor�o para o seu time. Voc� me elege para presidente?

Em suas pesquisas eleitorais, o Datafolha poderia acrescentar uma pergunta aos eleitores que votarão para a Presidência: "Você escolheria um candidato pela preferência clubística?". A resposta sensata é: "Não". Futebol é entretenimento e paixão. Não tem relação direta com as questões mais pertinentes ao Brasil, que são desigualdade social, saúde, educação, segurança, corrupção, desemprego, habitação, inflação, entre muitas outras. Tenho, contudo, a sensação de que uma parcela responderia "sim", com a expectativa de que o clubismo do eleito possa render dividendos, se não à sociedade, ao próprio clube. Isso é improvável, porém possível. Há um caso, e só me lembro deste, de um chefe de Estado agir claramente em prol do seu time de coração. No começo do ano passado, Lula (PT), 80, fez um Pix de R$ 1.013 para colaborar com a campanha de uma torcida uniformizada que objetivava reduzir a dívida do Corinthians no pagamento de sua arena, em Itaquera. É um valor simbólico, só que não se deveria dar um centavo que seja a um time, quando se parte da principal autoridade política do país. Ilegal não é, mas é questionável, pois envolve favorecimento. Que a mesma quantia fosse dada a todos os times brasileiros –são mais de 1.200 os registrados. O presidente, corintiano declarado, disse também ter carinho pelo Vasco da Gama, que seria seu segundo time. O Vasco é a equipe pela qual torce Flávio Bolsonaro (PL), 45, filho do ex-presidente que está preso por participação em tentativa de golpe de Estado e que, de acordo com as pesquisas, é o principal adversário de Lula no pleito deste ano. Jair Bolsonaro afirma-se palmeirense e simpatizante do Botafogo, todavia veste sem pudor camisas de outras agremiações: apareceu com o "manto" de dezenas de equipes, entre elas, Flamengo, Fluminense, Atlético-MG, Bahia, Internacional e Grêmio. É a estratégia de tentar ficar bem com o maior número possível de eleitores. E os outros candidatos à Presidência que aparecem com alguma relevância nos levantamentos feitos por institutos de pesquisa, para quem vai a torcida no futebol? Colunas Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha Entre outros postulantes ao Palácio do Planalto, Augusto Cury (Avante), 67, afirmou, conforme publicou a revista Placar, torcer para "o Santos de Pelé". Ronaldo Caiado (PSD), 76, é torcedor do Flamengo, o clube mais popular do Brasil. Renan Santos (Missão), 42, do São Paulo. Romeu Zema (Novo), 61, foi Atlético-MG. Desistiu devido a decepções com o Galo e não usa nenhuma camisa de clube. Decisão curiosa a de dar as costas para o time de coração. Torcedor, torcedor de verdade, raiz, não faz isso: está com o time "na alegria e na tristeza, na saúde e na doença" para sempre, em casamento indissolúvel. Pior que deixar de torcer, só passar a torcer por outro. Pior ainda se for para um arquirrival. Aconteceu na Argentina, onde o presidente Javier Milei, outrora seguidor fervoroso do Boca Juniors, passou a apoiar o River Plate. Alegou discordância com a política interna boquense. Por essas e outras que a máxima "futebol e política não se misturam" é uma falácia. A intersecção está presente, e deveria haver acompanhamento científico. Inclusive para saber se faz diferença em um evento tão importante como uma eleição presidencial. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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