São Paulo Os clubes de futebol do Rio e de São Paulo e a principal associação das emissoras de rádio e televisão defenderam, nesta quinta-feira (17), a atividade das bets autorizadas a funcionar no país e a veiculação de anúncios sobre apostas, desde que sejam de empresas com permissão do Ministério da Fazenda. Os sites de apostas têm buscado apoio de grupos esportivos, empresas de mídia e entidades beneficentes contempladas pela destinação social prevista na legislação. A movimentação acontece em meio a sinalizações do governo Lula de que os anúncios do setor e dos cassinos online (como o tigrinho e o Aviator) podem ser restritos ou proibidos. "A estimativa é de que o corte nos investimentos alcance R$ 9 bilhões até o fim da licença das operações, que termina em 2029", diz a ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias) em nota. O cálculo considera campanhas na televisão, contratos com influenciadores e patrocínios a times de futebol. Propaganda de sites de apostas na beira do gramado durante partida de Palmeiras e Fluminense pela 38ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2025 no Allianz Parque - Rubens Cavallari/Folhapress O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta quinta que nada foi definido ainda sobre restrições ao setor ou mesmo a proibição da atividade. "Quando tiver decisão tomada, nós vamos anunciar." Segundo ele, as discussões do governo estão pautadas pelo impacto das apostas no orçamento das famílias. "Seguimos muito preocupados com o custo de vida e com preservar a renda das famílias brasileiras", afirmou o ministro. Os clubes de futebol do Rio de Janeiro e de São Paulo se reuniram nesta quinta para definir a adesão a uma carta aberta, cuja versão preliminar mencionava perda de R$ 2 bilhões para o esporte. De acordo com participantes da reunião ouvidos sob reserva, o texto, que será publicado às 19h, argumenta que o veto aos patrocínios colocará o futebol em risco. Afirma ainda que o dinheiro faria falta para as categorias femininas e para os projetos sociais das agremiações. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisõesGrandes clubes do país têm contratos com bets em andamento, incluindo Flamengo (R$ 268,5 milhões ao ano com a Betano), São Paulo (R$ 113 milhões ao ano com a Superbet), Corinthians (R$ 103 milhões ao ano com a Esportes da Sorte), Palmeiras (R$ 100 milhões ao ano com a Sportingbet), Vasco (R$ 70 milhões ao ano com a Betfair) e Atlético Mineiro (R$ 60 milhões ao ano com a Betfair). Os valores são de anúncios dos próprios times. O presidente da ANJL, Plínio Jorge Lemos, diz que, diante das notícias sobre restrições e recentes posicionamentos do presidente Lula falando em proibição das apostas, tem procurado os principais parceiros comerciais do setor. "Veículos de imprensa, clubes de futebol, o Comitê Olímpico Brasileiro e a Apae estão todos preocupados, ligando querendo saber o que vai acontecer", disse Lemos. Ele diz que a entidade não recebeu sinal do que deve acontecer e teme a publicação de uma medida provisória com efeitos imediatos, em cenário similar ao da proibição do bingo em 2004. O presidente-executivo da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), Cristiano Lobato Flôres, diz que considera fundamental priorizar o efetivo cumprimento e a fiscalização das regras existentes e defende a propaganda das bets com permissão do governo. "A publicidade dos operadores autorizados contribui para que o consumidor reconheça e diferencie as bets que atuam legalmente daquelas que operam à margem da regulamentação", afirmou em nota. Para Flôres, o combate à publicidade online de bets ilegais, que operam fora do ambiente regulado e das salvaguardas de proteção ao consumidor, deve ser rigoroso. A Federação Nacional das Associações Pestalozzi e a Fenapaes (Federação Nacional das Apaes) não responderam às tentativas de contato da reportagem por telefone. A legislação de apostas determina que 0,5% do faturamento das plataformas de apostas seja destinado a essas duas entidades e à Cruz Vermelha Brasileira. Lula disse que o governo já realizou três reuniões para tratar de possíveis restrições para as bets, em encontros que reuniram membros da Presidência, da Casa Civil, da Fazenda e do Ministério da Justiça. Em declaração na quarta-feira (16), o presidente disse ter "disposição pessoal" para proibir o jogo. Integrantes do governo presentes nos encontros dizem que não há nada definido, nem prazo para publicação da medida. Interlocutores dizem esperar uma medida de alto impacto.
Times de futebol e TVs defendem propaganda de apostas ap�s sinais de restri��o pelo governo Lula
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