No alto das montanhas do norte do Chile, o telescópio Mothra ainda está em construção, mas já oferece uma nova perspectiva sobre alguns dos processos mais difíceis de se fotografar no Universo. Ele produziu uma imagem da nebulosa da Hélice (ou Helix), um exemplo impressionante do fim do ciclo de vida de uma estrela. Mothra, sigla em inglês para conjunto robótico modular de teleobjetivas ópticas hiperespectrais, é um telescópio projetado para capturar imagens de objetos grandes, porém tênues, em nosso céu noturno —em particular, a teia cósmica de gases difusos e matéria escura que se estende entre as galáxias. Para isso, o sistema usará 1.140 lentes de câmera que funcionam em conjunto, proporcionando um campo de visão amplo e, ao mesmo tempo, observações profundas. Ao testar 172 das lentes instaladas até agora no sistema, os cientistas viram algo surpreendente. Depois de apontarem o telescópio para a tão fotografada nebulosa da Hélice, eles observaram faixas tênues de detritos estelares se dissipando no espaço ao redor dela. A observação foi descrita em um artigo publicado na última quarta-feira (12) na revista Nature. "Vimos aquela imagem e pensamos: ‘Isso é novo. É algo que nunca vimos antes’", disse o físico Pieter van Dokkum, da Universidade Yale (EUA), um dos autores do novo estudo. "E, quando fizemos algumas pesquisas, descobrimos que ninguém mais havia visto isso antes." A nebulosa da Hélice, com formato semelhante ao de um olho, é um exemplo de como uma estrela pode parecer no fim de seu ciclo de vida. À medida que uma estrela esgota o combustível de hidrogênio em seu núcleo, ela começa a expelir suas camadas externas. Esse material excedente gira ao redor da estrela e, com o tempo, dissolve-se no meio interestelar, composto de gás, poeira e energia existentes entre as estrelas do Universo. Embora essa nebulosa tenha sido observada pela primeira vez em 1893 e seja bastante conhecida por seu grande tamanho e pela proximidade com a Terra, os cientistas até então não dispunham de equipamentos capazes de revelar suas tênues faixas mais externas de detritos, mostradas na nova foto. "Não vemos com frequência como o material perdido por uma estrela se mistura aos gases entre as estrelas", afirmou o astrônomo Joel Kastner, do Instituto de Tecnologia de Rochester. "Acho que há todo tipo de coisa além da nossa galáxia para a qual esse tipo de imageamento será útil." Os pesquisadores afirmam que o telescópio, quando concluído, captará imagens com cerca de seis vezes mais lentes e terá capacidade para fotografar objetos muito menos luminosos do que nebulosas. "Esse equipamento é tão poderoso que, mesmo em construção, basta apontá-lo para qualquer coisa e coisas incríveis começam a aparecer", disse o astrônomo Roberto Abraham, da Universidade de Toronto (Canadá), um dos autores do estudo. "Mas não o construímos para tirar fotos bonitas. Nós o construímos para tentar entender como as galáxias se formam e evoluem." Os cientistas do projeto Mothra esperam que o telescópio seja concluído no início de 2027.
Testes de novo telesc�pio captam vest�gios da morte de uma estrela
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