Tesouro dos EUA vende t�tulos de 30 anos com taxa mais alta desde 2001

Tesouro dos EUA vende t�tulos de 30 anos com taxa mais alta desde 2001

Os Estados Unidos pagaram o maior custo de captação desde 2001 para vender títulos de 30 anos nesta quinta-feira (13), enquanto investidores se preocupam com o crescente endividamento do país sob o governo de Donald Trump e com a inflação elevada. Um leilão do Tesouro de US$ 25 bilhões em títulos de 30 anos realizado nesta quinta alcançou rendimento de 5,22%, segundo o Departamento do Tesouro dos EUA. Foi a maior taxa desde os 5,52% pagos em agosto de 2001, momento que marcou a suspensão dos leilões de títulos de 30 anos por quase cinco anos. O rendimento do leilão desta quinta se compara aos 5,06% da venda anterior de títulos de 30 anos, em julho, e aos 4,91% registrados pouco antes do início do segundo mandato de Trump, em janeiro de 2025.O salto nos custos de captação ocorre em meio a disparada da dívida dos EUA para quase US$ 40 trilhões, aproximando a relação dívida/PIB de seu recorde. Ao mesmo tempo, a guerra de Trump contra o Irã elevou os preços para consumidores e empresas, fazendo com que investidores exijam retornos maiores para comprar títulos que oferecerão juros constantes pelas próximas três décadas. "No geral, isso é problemático para o Tesouro. O governo precisa se financiar a custos mais elevados", disse Gennadiy Goldberg, chefe de estratégia de juros dos EUA da TD Securities. A venda de títulos ocorre logo após um leilão de US$ 42 bilhões em notas de dez anos na véspera, no qual os papéis foram vendidos com o maior rendimento desde 2007. A dívida nacional —e o custo de captação— praticamente dobraram na última década, impulsionados pelos enormes gastos durante a pandemia de Covid-19. O governo agora gasta mais com o serviço da dívida do que com a defesa nacional. Trump voltou ao poder prometendo controlar as finanças públicas dos EUA, mas, desde então, a dívida nominal cresceu no ritmo mais acelerado fora do período da Covid-19, após o governo aprovar uma ampla legislação de redução de impostos. A dívida em poder do público superou o PIB no primeiro trimestre de 2026, segundo dados do governo analisados pelo Comitê para um Orçamento Federal Responsável.Segundo o Escritório de Orçamento do Congresso, órgão fiscalizador apartidário, a dívida nacional caminha para superar, até o fim da década, o pico de 106% registrado após a Segunda Guerra Mundial e atingir 120% em 2036. Os fatores fiscais foram agravados pelas preocupações de que o Federal Reserve terá dificuldades para controlar um período de inflação elevada, à medida que a disparada dos preços da energia provocada pela guerra no Irã intensifica as pressões inflacionárias criadas pelas tarifas e pelos gastos em forte expansão com infraestrutura de IA. A inflação anual saltou para 4,2% em maio, o maior nível em três anos, com a disparada dos preços dos combustíveis no auge do conflito. Desde então, recuou para 3,4% em julho, segundo dados divulgados nesta semana, mas permanece bem acima da meta do Fed. Embora os investidores continuem preocupados com a inflação e os elevados níveis de captação, os rendimentos disponíveis nos títulos de longo prazo ajudaram a manter a demanda estável. O leilão de títulos de 30 anos desta quinta teve uma relação entre ofertas e volume vendido —medida da demanda em relação ao montante de dívida ofertado— de 2,39. O número ficou acima da média dos seis leilões anteriores, segundo Vail Hartman, da BMO Capital Markets. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Goldberg, da TD Securities, acrescentou que o número "mostra que ainda há demanda por renda fixa de prazo mais longo, mas a um determinado preço". O Tesouro afirmou no início deste mês que os volumes dos leilões de títulos de prazo mais longo permanecerão nos níveis atuais pelos próximos trimestres, o que, na avaliação de analistas, ajudará a limitar novas pressões de alta sobre os rendimentos. "O Departamento do Tesouro deixou claro que não aumentará os volumes das emissões com cupom por pelo menos os próximos trimestres", disse Matthew Scott, chefe de negociação de renda fixa principal e de múltiplos ativos da AllianceBernstein, referindo-se a títulos do governo dos EUA com vencimento em dois anos ou mais. "Portanto, espero que quaisquer necessidades adicionais de financiamento continuem a ser atendidas no curtíssimo prazo, por meio de letras do Tesouro", afirmou. A migração do Tesouro para emissões de curto prazo nos últimos anos torna o estoque total da dívida do país mais vulnerável às oscilações das taxas de juros, já que o governo precisa emitir esses títulos com maior frequência do que quando dependia mais de títulos de longo prazo, disse Goldberg.

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