Tesouro Direto sai do ar em meio � forte oscila��o dos juros futuros

Tesouro Direto sai do ar em meio � forte oscila��o dos juros futuros

A plataforma Tesouro Direto, do Tesouro Nacional, ficou fora do ar nesta segunda-feira (5) em meio à alta volatilidade que afetou os títulos públicos, os juros futuros e outros ativos domésticos. O comportamento dos mercados repercutiu o resultado do primeiro turno das eleições nacionais. O ex-senador Flávio Bolsonaro terminou na liderança, com 47,03% dos votos, ante 45,16% de Lula, atual presidente. Os dois disputarão o segundo turno, marcado para o próximo dia 25. O próprio Tesouro Nacional atribuiu a interrupção à alta volatilidade dos mercados nesta manhã. Os juros futuros recuaram durante o pregão. A taxa DI de 2029 cedeu 109 pontos-base, a 12,66%, enquanto a taxa DI de 2028 caiu 79 pontos-base, a 12,72%. As taxas dos DIs refletem as expectativas do mercado para a trajetória futura da Selic e do CDI e servem como referência para operações como empréstimos e financiamentos. A queda dos juros futuros reduz as taxas oferecidas em novas aplicações de renda fixa e tende a favorecer ativos prefixados e indexados à inflação que já estejam em carteira, devido à marcação a mercado. Além disso, juros mais baixos podem reduzir o custo do crédito e estimular o consumo e os investimentos. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. O movimento também influenciou a rentabilidade dos títulos do Tesouro Direto. O IPCA+ 2035 era negociado com uma taxa adicional de 6,99%, mais a variação da inflação do período, ante taxa de 7,66% no pregão da última sexta-feira (2). No mercado de renda variável, a Bolsa fechou em alta de mais de 7%, com recorde de encerramento. O Ibovespa, índice de referência do mercado acionário, terminou o dia a 206.911 pontos, maior patamar já atingido. Parte dos investidores avalia que uma eventual alternância de poder, com Flávio no lugar de Lula, poderia resultar em uma condução fiscal mais sólida, reduzindo a percepção de risco em relação aos ativos brasileiros. Com uma trajetória da dívida mais controlada, o governo poderia pagar um prêmio menor para se financiar, o que tende a aliviar a curva de juros. Para Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX, o desempenho das candidaturas de direita alimenta a expectativa de uma alternância de governo. "As reações dos agentes do mercado financeiro desde agosto já revelavam uma preferência pela mudança, com a ideia de que Flávio Bolsonaro poderia ser mais conservador em sua política fiscal. Por isso, essa perspectiva hoje causa euforia, diminuindo a percepção de riscos fiscais dos ativos brasileiros", afirma.

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