O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) classificou nesta terça-feira (4) a greve dos ferroviários da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) como uma "instrumentalização política" e afirmou que o governo manterá o plano de conceder as linhas da companhia à iniciativa privada. Em publicação nas redes sociais, também acusou o sindicato de usar passageiros como forma de pressão. "Nosso compromisso é com quem acorda cedo todos os dias e precisa de um transporte público confiável para chegar ao trabalho, estudar, ir a uma consulta ou realizar um exame. A greve de hoje é resultado unicamente de instrumentalização política para prejudicar o passageiro e o cidadão de bem", escreveu o governador. Na publicação, o republicano afirmou que o governo permanece aberto ao diálogo, mas disse que a paralisação não mudará o plano de concessões. Segundo ele, a transferência da operação para a iniciativa privada permitirá investimentos em infraestrutura, compra de novos trens, modernização das estações, melhorias na via permanente e ampliação da malha ferroviária. "Uma concessão é feita para melhorar os serviços, eliminar problemas de via permanente, trazer trens novos, garantir estações mais acessíveis, eliminar falhas na via aérea de alimentação e nas subestações, estender as linhas até Bonsucesso ou até César de Souza e dar mais confiança ao sistema", afirmou. O governador também disse que o Estado apresentou propostas durante as negociações com os ferroviários, incluindo garantias de manutenção dos empregos, mas afirmou que elas foram rejeitadas pelo sindicato. Segundo ele, a categoria também desrespeitou a decisão do TRT-2 (Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região), que determinou a manutenção de 80% da operação nos horários de pico e de 60% nos demais períodos, sob pena de multa diária de R$ 400 mil."Negociações aconteceram, garantias de manutenção de emprego foram dadas e descartadas pelo sindicato, que não só ignorou a proposta do governo, como também, mais uma vez, ignora a decisão da Justiça do Trabalho", escreveu. Na parte mais dura da manifestação, Tarcísio afirmou que o governo não permitirá que os passageiros sejam usados como instrumento de pressão e associou a paralisação ao calendário eleitoral. "Não vamos permitir que o cidadão seja refém, que seja usado mais uma vez como instrumento de pressão. Não é por acaso que determinados eventos ocorram em ano de eleição", declarou. Por fim, o governador afirmou que as linhas já concedidas à iniciativa privada continuam operando normalmente durante a paralisação e reiterou que o governo seguirá com o programa de concessões. A greve dos ferroviários começou às 0h desta terça-feira (4) e afeta as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM. A categoria protesta contra a concessão dessas linhas à iniciativa privada, alegando risco de demissões e cobrando garantias de estabilidade para os trabalhadores, além da reestatização do serviço. Segundo a CPTM, a linha 11-Coral opera parcialmente entre Palmeiras-Barra Funda e Guaianases. Na linha 12-Safira, os trens circulam entre Brás e Engenheiro Goulart. Já a linha 13-Jade, incluindo o Expresso Aeroporto, permanece paralisada. Para reduzir os impactos aos passageiros, foi acionado o Paese (Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência), com ônibus gratuitos em parte dos trajetos. O governo de São Paulo adotou plano de contingência e reforçou transporte sobre trilhos durante a paralisação. O metrô antecipou a operação para as 4h e reforçou a operação na linha 3-vermelha. A CPTM implementou um plano de contingência para operar parcialmente as linhas 11-coral e 12-safira. Segundo o metrô, trens vazios poderão ser enviados às estações que apresentarem maior lotação nas plataformas, com o objetivo de agilizar os embarques e reduzir o tempo de espera. A greve por tempo indeterminado foi decidida nesta segunda (3) em votação no Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil (STEFZCB), no Brás, região central da cidade. Em nota conjunta, a CPTM e o governo disseram que, em reunião nesta segunda, o Estado reiterou o compromisso com a preservação dos postos de trabalho e com a análise de projetos de lei de interesse da categoria, como a absorção dos empregados por outros órgãos públicos estaduais, a discussão sobre incorporação da Estrada de Ferro Campos do Jordão pela CPTM, e a inclusão dos trabalhadores no Instituto de Iamspe (Assistência Médica ao Servidor Público Estadual). O TRT (Tribunal Regional do Trabalho) determinou a operação de 80% do efetivo nos horários de pico e de 60% nos demais períodos. Em caso de descumprimento, a multa diária é de R$ 400 mil.
Tarc�sio chama greve da CPTM de 'instrumentaliza��o pol�tica' e diz que n�o recuar� em concess�es de trens
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