A região Sul tem sido uma das mais afetadas pelo clima nos anos recentes, acumulando períodos de seca e de fortes enchentes. Isso reflete na produção agrícola e faz com que os estados da região percam participação na produção nacional de grãos. Os dados do VBP (Valor Bruto de Produção) da agropecuária da semana passada do Ministério da Agricultura indicam que as receitas de Minas Gerais, devido a café, cana-de-açúcar e laranja, setores que vêm aumentando produção no estado, superem as do Sul e de São Paulo. Os estados do Sul perdem no campo, mas vêm ganhando na pecuária e no valor agregado. A região aproveita o boom das exportações de proteína animal, principalmente as de frango e de carne suína, produtos em que os estados do Sul são líderes, para aumentar a participação no bolo das receitas externas do país. Em 2020, os três estados do Sul tiveram ganhos, corrigidos pela inflação, de R$ 198 bilhões no setor de lavouras. Neste ano, as estimativas são de R$ 158 bilhões. O Paraná, que era o segundo principal estado do país no valor de produção agrícola, agora está em quarto. O Rio Grande do Sul caiu para sexta posição, e Santa Catarina, para nona. Já no setor de pecuária, onde os cálculos do Ministério incluem bovinos, suínos, frango, leite e ovos, as receitas da região subiram de R$ 133 bilhões para R$ 150 bilhões no mesmo período. O Brasil passou a ser líder mundial nas exportações de carne bovina e de frango e aumentou a participação na de suíno. A região Sul se destaca nas duas últimas. Em 2025, os três estados foram responsáveis por 73% dos abates de suínos do país e de 66% dos de frango, segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal). A região lidera também as exportações nacionais desses produtos, ficando com 77% das receitas de frango e 90% das de suínos, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior). O Paraná é o principal nas vendas externas de aves, e Santa Catarina, nas de suínos. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Os estados vêm se destacando também na produção de peixe, um dado ainda não considerado nas estatísticas do VBP do Ministério da Agricultura. As receitas totais do país com a agropecuária deverão recuar 4,5% neste ano, para R$ 1,4 trilhão, segundo os dados do VBP da semana passada. Até mesmo soja e café, que tiveram produção recorde, não conseguem superar as receitas obtidas em 2025, devido à queda dos preços internacionais. O milho, a segunda cultura mais importante, terá queda de 7%, também porque os preços do cereal não reagiram neste ano. Pelos números do Ministério, a soja renderá R$ 336 bilhões; o milho, R$ 158 bilhões, e o café, R$ 103 bilhões.O avanço das culturas de soja, milho e algodão e a posição de líder na pecuária bovina mantêm Mato Grosso como o estado com maior participação nas receitas nacionais do setor agropecuário. Para este ano, o Ministério da Agricultura prevê R$ 216 bilhões, um valor, no entanto, 5% inferior ao de 2025. O setor de pecuária, devido às fortes exportações deste ano, tem aumento de 5%, enquanto o de lavoura cai 7%. Amapá é o estado com a menor produção agropecuária do país, somando apenas R$ 233 milhões, e as receitas vêm praticamente da mandioca, que representa 43% desse valor. O cálculo do VBP leva em consideração o volume produzido e os valores de venda obtidos pelo produtor. O acompanhamento contempla as 17 principais culturas agrícolas e os cinco principais produtos da pecuária. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Sul perde receitas com lavoura de gr�os, mas ganha com prote�nas
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