Londres |Financial Times O número de empresas de biotecnologia que abrem capital por meio de fusões reversas ("reverse merger", em inglês) subiu quase seis vezes neste ano, à medida que startups promissoras aproveitam empresas em dificuldades listadas em Bolsa para acelerar sua estreia no mercado de ações. Nesses negócios, uma empresa de capital fechado pode abrir capital ao se fundir com uma empresa já listada em Bolsa, o que permite acelerar o processo tradicional de IPO (ofertas públicas iniciais). No setor de biotech, isso geralmente envolve uma companhia de capital aberto que sofreu um golpe significativo, como o fracasso de seu principal candidato a medicamento. Vinte e três empresas do setor anunciaram que estão buscando fusões reversas este ano, segundo o banco de investimento William Blair —contra quatro no ano passado. Esse aumento ocorre apesar da retomada dos IPOs do setor, que também subiram para 23 este ano, contra 12 em 2025. Tela mostra movimentações do mercado na Bolsa de Nova York - Jeenah Moon - 15.set.26/Reuters Mais biotechs recorreram a esse tipo de operação no último ano graças à oferta abundante de candidatas listadas para fusão, após o salto de IPOs de biotecnologia durante a pandemia, e ao número crescente de investidores sofisticados dispostos a financiá-las. "Historicamente, abrir capital por meio de fusões reversas era visto como uma opção inferior", disse Brian Rosenzweig, sócio de mercado de capitais do escritório de advocacia Covington. "Mas boa parte dessa visão mudou [à medida que] o mercado de fusões reversas se tornou mais sofisticado." Após o boom de listagens de ciências da vida durante a pandemia, várias biotechs listadas sofreram reveses clínicos, o que as deixou abertas a uma união. Houve 51 IPOs de biotecnologia em 2020 e 70 em 2021, antes de o mercado secar no ano seguinte, segundo dados da FactSet. Entre as empresas listadas que serviram de alvo está a Cyclerion Therapeutics, que abriu capital em 2019, não teve sucesso em seu tratamento para anemia falciforme e tentou, sem sucesso, migrar para novas áreas. No mês passado, a empresa concluiu uma fusão reversa com a Korsana Biosciences, biotech focada em doenças neurodegenerativas. A Korsana, cujos investidores agora detêm a maioria do grupo resultante, levantou US$ 380 milhões em financiamento junto a grupos como Fairmount e RTW Investments. A crescente participação de investidores sofisticados, como a Fairmount, ajudou as fusões reversas a se livrarem da reputação de último recurso para empresas fracas abrirem capital. "A maioria dos investidores especializados e sofisticados que movimentam os livros de demanda dos IPOs tradicionais é hoje o mesmo grupo que impulsiona o [financiamento] das fusões reversas", disse Rosenzweig. Esses investidores ajudaram a elevar os valores captados nesses negócios. Em julho, a biotech privada Caldera Therapeutics obteve US$ 278 milhões de investidores como Bain Capital Life Sciences, Atlas Venture e Janus Henderson para se fundir com a Synlogic. Um mês depois, a Obsidian Therapeutics levantou US$ 350 milhões, entre outros, da Atlas e da Janus Henderson para se fundir com a Galera. Para advogados e executivos do setor, algumas empresas estavam optando por fusões reversas mesmo com a recuperação do mercado de IPOs atraídas pela relativa rapidez e pela maior certeza quanto ao financiamento. Diferentemente de uma listagem, em que a demanda dos investidores e a precificação podem ser imprevisíveis, as fusões reversas permitem acordar avaliações e garantir o financiamento de antemão. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisões"No momento em que você assina o contrato de combinação de negócios com o [financiamento] garantido, você tem certeza do negócio. Você depende menos de uma janela de IPO disponível. Você se concentra em fixar a avaliação, algo que você não tem o benefício de fazer de antemão no processo de IPO", disse Rita Sobral, sócia do escritório Cooley que já assessorou biotechs em fusões reversas. Jonathan Violin, presidente-executivo da Korsana, disse ao FT que a empresa "percebeu que não importa o caminho que você escolha... O que importa é a solidez da empresa, a solidez da ciência e quão bem capitalizada a empresa está. A visão pejorativa antiga sobre fusões reversas foi um erro", acrescentou. No entanto, a recuperação dos IPOs tradicionais também deu às empresas promissoras uma via de acesso ao mercado após anos de seca. Entre as listagens recentes está a Alamar Biosciences, cujas ações subiram cerca de 15% desde que estreou em abril.
Startups de biotecnologia recorrem a fus�es reversas para acelerar a abertura de capital
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