Starbucks recua em metas ambientais em meio a esfor�o de corte de custos de US$ 2 bilh�es

Starbucks recua em metas ambientais em meio a esfor�o de corte de custos de US$ 2 bilh�es

Nova Iork |Financial Times A Starbucks reduziu ou descartou metas ambientais e demitiu funcionários da área de sustentabilidade, enquanto a pioneira em compromissos climáticos busca US$ 2 bilhões em cortes de custos. A rede revisou ou abandonou promessas de reduzir pela metade o uso de água e a geração de resíduos, enquanto a meta de cortar as emissões de carbono em 50% está sendo revisada. O recuo ocorre em meio a um recuo mais amplo de empresas americanas dos compromissos ambientais, à medida que a pressão aumentou sob o presidente Donald Trump e metas ambiciosas se mostraram difíceis de cumprir. No entanto, o caso do Starbucks se destaca porque poucas empresas tornaram a sustentabilidade tão central para sua identidade corporativa. Loja Starbucks - Brandon Bell - 20.ago.26/Getty Images via AFP O grupo anunciou suas metas em 2020, quando o então CEO Kevin Johnson declarou em uma carta pública que "a sustentabilidade tem estado no cerne da Starbucks desde o início e é coerente com nossa crença de que podemos construir um grande negócio que cresce para o bem". A carta, que prometia transparência sobre o progresso, não está mais no site do grupo, enquanto muitas metas estavam ausentes ou foram alteradas no Relatório de Impacto Global anual da empresa. Em vez disso, o relatório informou que o Starbucks adotou um "conjunto de metas de sustentabilidade mais focado", sem detalhar as mudanças nos compromissos anteriores. O documento omitiu a meta para a água utilizada nas operações diretas e na produção de café, embora tenha reiterado um outro objetivo de ajudar 5 milhões de pessoas a obter água limpa, saneamento e higiene. O relatório do ano anterior indicava uma captação anual de água de aproximadamente 500 bilhões de litros. O mais recente divulgou apenas 53 bilhões de litros em captações "operacionais", uma métrica muito mais restrita.A meta para resíduos enviados a aterros sanitários também ficou ausente, assim como dados atualizados sobre resíduos. O relatório anterior informava que a rede havia gerado 681mil toneladas de resíduos em aterros em 2024, 6% a mais do que em 2019. A empresa também pretendia reduzir em 50% o uso de "fontes virgens derivadas de combustíveis fósseis" nas embalagens para clientes até 2030. Agora, a meta é cortar "plásticos virgens" em todas as embalagens em 5%. A meta para que materiais reciclados compusessem metade das embalagens para clientes também foi reduzida para um quarto, "dependendo da disponibilidade de conteúdo reciclado". A rede manteve a meta de diminuir pela metade as emissões de gases de efeito estufa até 2030 em relação à base de 2019, incluindo emissões indiretas de "escopo três", cujas fontes incluem agricultura e manufatura. No entanto, o relatório afirmou que o grupo estava "reavaliando ativamente" essa meta devido a novas regulamentações, mudanças em normas e outros "obstáculos" que tornaram o objetivo mais difícil de alcançar. A Starbucks disse que espera anunciar uma "nova meta alinhada com a ciência" e a estratégia para alcançá-la no início de 2027. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisõesKelly Poole, coordenadora de clima e energia do grupo de defesa da sustentabilidade de acionistas As You Sow, disse que isso sugere que "eles estão considerando abandoná-la", acrescentando que o recuo de outras empresas em relação às metas verdes pode ter feito a Starbucks "sentir que não há problema em fazer o mesmo". As emissões totais da Starbucks em 2025 foram 7% superiores às de 2019, de acordo com o relatório. A empresa expandiu-se desde 2019, o que significa que seus atendentes estão entregando mais copos —e potenciais resíduos— aos consumidores. Muitas bebidas geladas, que agora representam dois terços das bebidas vendidas pelo Starbucks, são servidas em copos de plástico transparente que podem ser difíceis de reciclar. Um teste recente feito pelo grupo ambientalista Beyond Plastics descobriu que nenhum dos copos de polipropileno para bebidas geladas do Starbucks foi reciclado, apesar de serem classificados como recicláveis. A empresa contestou o teste, dizendo que os rastreadores eletrônicos fixados aos copos pelo Beyond Plastics podem ter alterado a forma como foram manuseados. As mudanças ocorrem no momento em que Brian Niccol, CEO desde 2024, busca US$ 2 bilhões em reduções de custos como parte de um plano de recuperação.Os mais de 2.000 cortes de empregos corporativos da Starbucks nos últimos dois anos incluíram dezenas de pessoas que trabalhavam com sustentabilidade, segundo uma pessoa próxima à empresa. Entre elas estava a diretora de sustentabilidade Marika McCauley Sine, substituída por Kelly Goodejohn, cujo cargo se expandiu para diretora de sustentabilidade e impacto social. "O progresso nem sempre é linear, e alguns dos desafios que estamos trabalhando para enfrentar são complexos", escreveu Goodejohn no LinkedIn em julho. Katie Herod, ex-diretora de estratégia no segmento global de café demitida em maio, escreveu no LinkedIn que a empresa antigamente "vivia sua missão e valores de forma tão aberta que quase parecia um culto", mas que isso mudou recentemente. "Ultimamente, a filosofia parece diferente. Demissões repetidas. Esvaziamento das equipes de sustentabilidade e fornecimento ético", escreveu. O Starbucks manteve alguns compromissos de sustentabilidade, incluindo a meta de tornar todas as embalagens voltadas ao consumidor reutilizáveis, recicláveis ou compostáveis até 2030. Também superou a meta de ter mais de 10.000 lojas certificadas para atender aos padrões ecológicos até 2025.

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