Nunca gostei da ideia de que política seja um assunto distante da nossa vida. Para uma mulher que trabalha, empreende, cuida da família, paga impostos, gera empregos e toma decisões todos os dias, poucas coisas são tão concretas quanto as escolhas feitas por quem governa o país. Nesta eleição, essa reflexão ganha uma dimensão ainda maior. Somos 83,8 milhões de eleitoras, o equivalente a 52,8% do eleitorado brasileiro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. Somos maioria. Numa disputa presidencial decidida voto a voto, isso significa que as mulheres têm força suficiente para influenciar diretamente o resultado das urnas. O cientista político Jairo Nicolau chamou atenção justamente para esse ponto ao analisar o primeiro turno. Segundo ele, o comportamento do eleitorado feminino aparece como uma das variáveis centrais da disputa presidencial, principalmente porque a rejeição entre as mulheres pode estabelecer limites ou abrir espaço para o crescimento de uma candidatura. Não estamos falando de um grupo periférico. Estamos falando da maioria dos eleitores. Outro dado ajuda a mostrar que esse peso também começa a aparecer nas cadeiras. 12 mulheres foram eleitas para o Senado no primeiro turno, o maior número em uma mesma eleição desde a redemocratização. A partir de 2027, a bancada feminina deve chegar a 18 integrantes, cerca de 22% das 81 cadeiras. Ainda existe uma distância grande entre a força que temos nas urnas e nossa presença nos espaços de decisão. Mesmo assim, esse avanço mostra que a participação feminina deixou de poder ser tratada apenas como discurso. Para mim, participação política também significa olhar para aquilo que interfere diretamente na vida real. Quero saber se quem pede meu voto entende o valor de quem trabalha e empreende. Quero saber como pretende enfrentar a violência, cuidar das contas públicas, criar condições para que empresas cresçam e empregos sejam gerados. Também quero entender qual espaço dará à família, à liberdade individual e à possibilidade de cada pessoa construir a própria vida com autonomia. Mulheres conhecem bem o peso das decisões. Muitas administram simultaneamente uma empresa, uma carreira, uma casa e uma família. Sabem que dinheiro não aparece por decreto, que escolhas têm consequências e uma conta mal administrada será paga por alguém. Nosso voto, portanto, não pode ser tratado como detalhe de campanha. Quando mais da metade do eleitorado é formada por mulheres, compreender o que elas querem para o país passa a ser uma questão central para qualquer candidato. Também considero fundamental que nenhuma mulher aceite que outra pessoa determine como deve votar. Nem marido, nem amigo, nem empresa, nem influenciador. Independência também passa por isso. Pesquisar propostas, conhecer a trajetória dos candidatos, confrontar promessas com resultados e decidir de acordo com aquilo em que acreditamos. Quero chegar à urna sabendo que fiz a minha escolha olhando para o país em que quero trabalhar, empreender, criar minha família e viver. Se somos maioria, precisamos compreender também o tamanho da responsabilidade que está em nossas mãos. Chegamos a esta eleição com uma força eleitoral que os números impossibilitam ignorar. A pergunta já não é se as mulheres terão influência sobre o resultado. A pergunta é: o que faremos com essa força? Todas Discussões, notícias e reflexões pensadas para mulheres LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Somos quase 53% do eleitorado e podemos decidir a elei��o de domingo
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