Sistema Cantareira deixa a faixa de alerta; redu��o da press�o noturna � mantida em 8 horas

Sistema Cantareira deixa a faixa de alerta; redu��o da press�o noturna � mantida em 8 horas

O sistema Cantareira, principal manancial de abastecimento de água da região metropolitana de São Paulo, passa a operar na faixa 2, de atenção, a partir desta quinta-feira (1º). Até então, a faixa de operação era a 3, de alerta, devido ao período de estiagem pelo qual passou a região. No entanto, com as chuvas muito acima da média em setembro, a situação dos reservatórios melhorou e o nível do Cantareira atingiu 41,1% no último dia de setembro após ter fechado agosto com 33%. Como o volume útil está entre 40% e 60%, a ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) e a SP Águas (Agência de Águas do Estado de São Paulo) autorizaram a mudança de faixa para atenção, o que permite que a Sabesp retire do Cantareira até 31 m³/s (31 mil litros por segundo). Em setembro, eram 27 m³/s (27 mil litros por segundo). Apesar dessa alteração realizada pela gestão conjunta da agência nacional com a estadual, os moradores da região metropolitana de São Paulo praticamente não sentirão a mudança nas torneiras. Mesmo com o maior volume captado pela Sabesp, a Gestão de Demanda Noturna (GDN), como é chamada a redução da pressão nos canos da rede, permanecerá por oito horas, das 22h às 6h. A explicação para isso é que a GDN é gerenciada pelo Comitê de Integração das Agências para a Segurança Hídrica, um órgão estadual formado pela Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) e pela SP Águas. Segundo o comitê, para haver mudança na gestão noturna, o sistema Cantareira precisa operar na normalidade, assim como o SIM (Sistema Integrado Metropolitano), que é formado por sete sistemas: Cantareira, Alto Tietê, Cotia, Guarapiranga, Rio Claro, Rio Grande e São Lourenço. O SIM já está na faixa de normalidade, com 55,2% de seu volume útil total. Mas o Cantareira ainda está na faixa 1 do controle estadual. Para ficar na normalidade, precisa atingir 41,61%, o que pode acontecer nos próximos dias. "Estamos cumprindo o previsto na Deliberação Arsesp, que tem o objetivo de proteger os reservatórios no médio e longo prazo, mantendo uma postura mais conservadora em relação ao relaxamento das medidas, mas sempre buscando o equilíbrio entre as medidas de segurança hídrica, com a preservação dos mananciais, e a prestação dos serviços à população", diz o diretor-presidente da Arsesp, Diego Domingues. Desde o início da Gestão de Demanda Noturna, em agosto de 2025, a medida já contribuiu para uma economia estimada de mais de 209 bilhões de litros de água, volume equivalente ao consumo de 36 milhões de pessoas, informa a Arsesp. As chuvas de setembro foram primordiais para a recuperação dos mananciais e para a elevação dos níveis dos reservatórios. No Cantareira, o acumulado no mês foi de 282,5 mm, equivalente a 358,3% da média climatológica de 78,8 mm. No SIM, foram registrados 353 mm, correspondentes a 397,1% da média de 88,9 mm. E no Alto Tietê, a precipitação chegou a 247,1 mm, ou 433,1% da média histórica para o período. Na comparação com o mesmo período do ano passado, os níveis dos reservatórios também são superiores. O SIM passou de 31,46% para 55,27% no dia 30 de setembro, aumento de 23,81% em relação ao ano passado. No Cantareira, o aumento foi de 12,74%, passando de 28,38% para 41,12%, enquanto o Alto Tietê passou de 25,03% para 54,29%, diferença de 29,26%. Os volumes atuais também estão acima das projeções das curvas de contingência. No SIM, o volume registrado foi de 55,27%, frente a 33,86% projetados. No Cantareira, foram registrados 41,12%, enquanto a curva de contingência indicava 23,77%. Outra boa notícia é que a previsão do tempo para outubro indica chuvas acima da média em todo o estado de São Paulo, principalmente nas regiões sul, litorânea e central, o que deve melhorar ainda mais os níveis dos mananciais. "Percebemos que houve uma antecipação do período chuvoso como consequência dos efeitos do El Niño, mas também tivemos variações importantes de temperatura, com dias de calor intenso. É importante que sigamos cautelosos, monitorando a situação e protegendo nossos reservatórios, até para garantir que tenhamos uma situação mais confortável também no médio e longo prazo", diz Camila Viana, diretora-presidente da SP Águas.

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