Senai Cimatec vira universidade e � 18� entre institui��es privadas no RUF

Senai Cimatec vira universidade e � 18� entre institui��es privadas no RUF

O nome Senai ainda costuma ser associado à formação técnica, mas, em Salvador, a entidade mantém uma universidade com cursos de graduação, mestrado e doutorado. Recém-credenciada nessa categoria, a Universidade Senai Cimatec estreia no RUF (Ranking Universitário Folha) entre as 20 instituições privadas mais bem colocadas do país. Localizada em Piatã, na orla atlântica da capital baiana, ocupa a 18ª posição entre as instituições privadas e a 83ª no ranking geral. É a única representante do Nordeste entre as 20 primeiras universidades particulares. O Cimatec é uma unidade do Senai Bahia, que integra o Sistema Indústria no estado. Sob a liderança da Fieb (Federação das Indústrias do Estado da Bahia), o sistema reúne ainda Sesi, IEL (Instituto Euvaldo Lodi) e Cieb (Centro das Indústrias do Estado da Bahia). Criado em 2002 como centro tecnológico e escola técnica, o Cimatec passou a oferecer ensino superior em 2004, tornou-se centro universitário em 2017 e recebeu o credenciamento como universidade em dezembro de 2024 pelo MEC (Ministério da Educação). Para o reitor Luís Alberto Breda, a mudança tem efeito sobre como o Cimatec é percebido. Segundo ele, o título de universidade ajuda a tornar mais clara a atuação da instituição, já que o nome Senai ainda é associado principalmente à formação técnica. Engenharia mecânica é o curso mais bem colocado do Cimatec no RUF: aparece na 7ª posição entre as instituições privadas e na 32ª no país. Criada em 2011, a graduação tem 310 alunos e 72 professores. Segundo a vice-reitora Josiane Dantas, o desempenho do curso está ligado à origem do Cimatec, historicamente voltado a áreas como mecânica, usinagem e ferramentaria. Por ser uma das graduações mais antigas da instituição, teve mais tempo para consolidar professores, laboratórios e projetos. Entre os projetos desenvolvidos no curso está o de Isis Raquel da Silva Gomes, 24, aluna do sétimo semestre de engenharia mecânica e bolsista integral da universidade. Em uma atividade acadêmica, ela e outros estudantes receberam da Vinícola Reconvexo, localizada na Chapada Diamantina, o desafio de desenvolver uma máquina capaz de separar cascas e sementes de uva sem comprometer as propriedades desses materiais. A proposta é permitir que os resíduos sejam reaproveitados na produção de geleias, óleos e outros produtos. O trabalho faz parte de uma das três trilhas profissionais do curso. A partir do quinto semestre, os alunos escolhem entre pesquisador, empreendedor e técnico-gestor. Nesta última, grupos de até cinco integrantes passam quatro semestres desenvolvendo uma solução para um problema apresentado por uma empresa. Segundo o coordenador do curso, Júlio César Chaves Câmara, a empresa acompanha o desenvolvimento, pode fornecer materiais e participar da avaliação final. O projeto pode servir como trabalho de conclusão de curso. Os estudantes não são remunerados pela atividade, mas podem conseguir estágio ou ser contratados durante o processo. O trabalho também pode resultar em patente compartilhada entre o Cimatec e a empresa. Ex-aluna do Sesi e do curso técnico de mecatrônica do Senai, Isis Raquel optou pelo Cimatec principalmente pela estrutura de laboratórios e pela possibilidade de aplicar, em aulas práticas, conteúdos vistos em sala. Isis estagia no setor de Desenvolvimento de Produtos Industriais do Cimatec, voltado a projetos mecânicos e protótipos. Antes, passou quatro anos na Solar Coca-Cola, em Simões Filho, na qual começou como jovem aprendiz, tornou-se estagiária e foi efetivada na área de planejamento e controle da manutenção. A estudante também integra, pelo terceiro ano consecutivo, a CalangoTec Baja. Formada por cerca de 50 estudantes de diferentes engenharias, a equipe constrói um veículo off-road projetado para pistas com lama, subidas e obstáculos. Ela trabalha na estrutura e na gaiola de proteção do piloto, aplicando conhecimentos de disciplinas como soldagem. Os integrantes também buscam patrocinadores e administram os custos da iniciativa. Outra iniciativa estudantil, a TecRacing, desenvolve um protótipo para a Fórmula SAE, competição de engenharia com carros inspirados nos modelos de Fórmula 1. Juliana Pazo Cerqueira, 19, aluna do quarto semestre de engenharia mecânica, participou da equipe e trabalhou no sistema de freios e na ergonomia do veículo, incluindo a criação de um banco adaptado ao piloto. Parte das peças é produzida no Cimatec Park, no Polo Industrial de Camaçari, com equipamentos de usinagem, corte a laser e impressão 3D. Nas competições, os estudantes são avaliados pelo desempenho, segurança, custos e escolhas técnicas do veículo. Também ex-aluna do Sesi, Juliana decidiu cursar engenharia mecânica após participar de uma equipe de robótica no ensino médio, onde teve contato com softwares de modelagem e simulação. Ela diz que escolheu o Cimatec principalmente pela infraestrutura e pelo acesso a laboratórios. Juliana faz estágio remunerado no setor automotivo do Cimatec e atua no Lean Garage, consultoria voltada a empresas do ramo automotivo. No estágio, participa de treinamentos e da aplicação de ferramentas de gestão para reduzir desperdícios e melhorar processos. A relação com empresas ocupa parte central da atuação do Cimatec. Segundo o reitor, o ensino universitário representa 15% das atividades e a escola técnica, 5%; os outros 80% estão ligados à tecnologia e à inovação. Há cerca de 180 projetos em andamento, 80% deles para empresas de fora da Bahia, em áreas como robótica subaquática, inteligência artificial aplicada à saúde e componentes aeronáuticos. A Ford mantém parceria com o Senai Cimatec há mais de 20 anos e, desde 2022, tem o Centro de Desenvolvimento e Tecnologia instalado no Cimatec Park. A montadora oferece estágios a estudantes e também recruta alunos durante competições da SAE. A presença feminina, porém, ainda é pequena no curso. Juliana explica que entrou em uma turma com apenas quatro mulheres e que esse número diminuiu ao longo dos semestres. No RUF, o Cimatec aparece em 18º lugar em inovação e em 65º em pesquisa. Também ocupa a 15ª posição em artigos produzidos com empresas, a 24ª em publicações por professor e a 27ª em citações por professor. Outros cursos também se destacam. Engenharia de Controle e Automação ocupa o 21º lugar em qualidade de ensino e Engenharia Elétrica fica em 40º na avaliação do mercado.

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