O Senado deu início nesta terça-feira (6) à primeira discussão da PEC (proposta de emenda à Constituição) que acaba com a escala de trabalho 6x1. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), disse, ao chegar ao Congresso Nacional, que poderá colocar a proposta em votação na próxima semana, para a análise em primeiro turno. Regimentalmente, as PECs precisam passar por cinco sessões de discussão antes da primeira votação, e de mais três, antes da segunda. Segundo os cálculos apresentados por Alcolumbre, se a PEC 6x1 for aprovada na primeira votação, a segunda não aconteceria antes do segundo turno das eleições, no dia 25. Bandeira do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a proposta já foi aprovada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e passará por teste de fogo no plenário, agora sob pressão do resultado das urnas no último domingo (4). O governo chegou a articular para antecipar a votação da PEC, algo que, regimentalmente, só pode ser feito por acordo. No entanto, Alcolumbre já tinha indicado à base do governo que seguiria o regimento para que senadores contrários e favoráveis à proposta possam se manifestar. O senador esteve reunido, nesta terça, horas antes do início da sessão, com o ministro José Guimarães (Relações Institucionais) e a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE). "Penso que vai ser um grande debate e que o Brasil precisa conhecer a posição de todos os senadores", disse Guimarães. Segundo o ministro de Lula, a expectativa do governo é que o texto seja aprovado. "Quero ver a turma do Flávio Bolsonaro votar contra", disse Guimarães. O senador do PL, adversário de Lula no segundo turno da disputa presidencial, disse nesta terça que a redução na jornada de trabalho é oportunista. "Tenho certeza que o trabalhador brasileiro quer muito mais do que isso", disse Flávio. O candidato à Presidência não participou da sessão da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) em que o relatório da PEC foi aprovado e evitou responder se votaria contra ou a favor da proposta endossada pelo governo. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Ele tem defendido uma proposta do PL que prevê a liberação, por acordo individual, de jornadas com remuneração por hora, com permissão para redução da remuneração dos trabalhadores de maneira proporcional. A PEC do fim da 6x1 reduz a jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40 horas, com a concessão obrigatória de duas folgas semanais, uma delas preferencialmente aos domingos, sem redução da remuneração. A alteração constitucional prevê uma transição para a redução das quatro horas semanais. A primeira etapa começa a valer 60 dias depois da promulgação, com a redução da jornada semanal a 42 horas. A segunda e última fase, a redução para 40 horas, será aplicada 12 meses depois. A redução na jornada, segundo a PEC, não pode resultar em redução salarial. Entidades empresariais ligadas aos setores de comércio e serviços e indústria, contrárias à aprovação da PEC, fazem uma mobilização para pedir que senadores da oposição não compareçam à sessão de votação, de modo a não garantir ao governo o quórum mínimo. A avaliação entre os empresários é que o bônus eleitoral de Lula com a aprovação está esvaziado diante de um resultado apertado no primeiro turno. Ao mesmo tempo, a pressão das eleições sobre a decisão dos senadores também está menor, uma vez que a maioria já se reelegeu ou perdeu no último domingo. Há também os que, candidatos ao governo de seus estados, enfrentarão o segundo turno no dia 25. Até agora, Alcolumbre agendou três sessões plenárias de discussão para esta semana, período em que governo e oposição esperam medir os ânimos para a votação do texto no plenário. Antes mesmo de a sessão plenária começar, senadores da base do governo já avaliavam que o governo terá dificuldade em garantir quórum para todas as sessões de discussão. Para alguns, sem o indicativo de que haverá quórum para votar, a tendência é que a PEC não seja colocada em votação. Para ser aprovada, a proposta que reduz a jornada semanal dos trabalhadores formais no Brasil precisa de votos de 49 dos 81 senadores em dois turnos de votação.
Senado come�a a discutir a PEC do fim da 6x1, e Alcolumbre sinaliza vota��o na pr�xima semana
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