'Seguidor ajuda, mas n�o garante elei��o', diz coordenador de campanha de Raquel Lyra

'Seguidor ajuda, mas n�o garante elei��o', diz coordenador de campanha de Raquel Lyra

Leonardo Saraiva coordenou a campanha de Raquel Lyra (PSD), que se reelegeu governadora de Pernambuco no primeiro turno, com 53,27% dos votos válidos, superando João Campos (PSB), com 44,82%. O resultado contrasta com as vitórias de políticos influenciadores digitais, já que o ex-prefeito de Recife é jovem e amplamente elogiado pelo domínio das redes sociais, tendo mais seguidores do que a adversária. Após o primeiro turno, João Campos tinha uma base de 3 milhões de seguidores, mas nem todos são eleitores pernambucanos, comenta Saraiva. "A estratégia de mostrar trabalho, dinâmica e proximidade com as pessoas que foi adotada para a campanha de Raquel foi bastante assertiva", diz. Enquanto profissional de marketing político, Leonardo acredita que a comunicação de um candidato deve amplificar os bons aspectos da sua essência e não tentar mudá-la completamente. "Existe um abismo entre se adaptar ao ambiente digital e se tornar um ‘tiozão da rede'. Esses influenciadores políticos têm o que chamo de DNA digital. Os cortes e as soluções de distribuição de conteúdo funcionam também por conta da persona, da forma natural e, claro, de uma construção de médio prazo. Mas não é um modelo copia e cola." Esse movimento é observado na campanha à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele lembra que o presidente já declarou não possuir sequer um telefone celular, mas na metade do seu governo, com a entrada do novo ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, houve uma melhora na comunicação digital institucional. Agora, no segundo turno, houve mais uma mudança no formato, com vídeos selfie. "Quando um político tradicional tenta simplesmente imitar um influenciador, a audiência percebe e isso pode causar um prejuízo irreparável à autoridade do candidato. Com isso, poucas mensagens terão a confiança necessária para serem captadas pelo eleitor e muito menos para serem compartilhadas", diz. Apesar de a maioria dos influenciadores no ambiente digital serem pessoas com menos de 35 anos, ele cita exemplos bem-sucedidos de personalidades fora da política que criaram uma imagem e encontraram o formato que combina com sua essência e com o meio de veiculação, como o médico Dráuzio Varella. "Sempre oriento nossos clientes que não devemos copiar e sim buscar a autenticidade. E essas referências demonstram que é possível alcançar um bom desempenho através de uma estratégia assertiva, boa leitura de pesquisa e boas referências." Sobre futuras campanhas eleitorais, Leonardo Saraiva diz que tudo depende do contexto de cada local, pois o que dita cada voto é o que cerca o eleitor e o que o candidato representa. "Ter um poder midiático no ambiente digital sempre vai ser um ativo importante para qualquer pleito, mas não acredito que as coisas se resolvam por inércia. É necessário um trabalho de estratégia cada vez mais detalhado para que um trunfo potencial de um candidato não se torne um passivo eleitoral." Ele diz que não existe uma fórmula pronta para ser vendida que sirva para eleger qualquer candidato e isso acontece também porque as redes sociais não são algo estático. "Já que não existe fórmula para lidar com o que está em constante transformação, se faz cada vez mais necessário estar dedicado em entender cada uma dessas mudanças de comportamento do seu público-alvo." LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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