Seca na amaz�nia for�a donos de navios a reduzir carga, e demanda a�rea aumenta

Seca na amaz�nia for�a donos de navios a reduzir carga, e demanda a�rea aumenta

São Paulo O período de estiagem na amazônia, combinado neste ano ao El Niño, já começou a mostrar efeitos sobre o transporte de cargas. A Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) registra trechos com restrição de navegação, e donos de navios têm de diminuir a carga de contêineres para seguir viagem. Segundo o monitoramento feito pela consultoria Solve Shipping, navios de contêineres estão diminuindo a capacidade transportada quando chegam a Itacoatiara (AM), onde realizam o transbordo de parte da carga para balsas menores. A transferência de carga ocorre por meio de um píer temporário instalado para atender armadores (donos de navio) nesta época do ano. Operação em píer temporário do Grupo Chibatão, em Itacoatiara (AM) - Divulgação/Grupo Chibatão Leandro Carelli, sócio da Solve Shipping, afirma que um navio de cabotagem chega à cidade amazonense com cerca de 1.400 contêineres de 40 pés, equivalente a 2.800 TEUs (cada TEU representa um contêiner de 20 pés, ou cerca de 6 metros). Por lá, a embarcação faz o transbordo de 300 contêineres e segue com menos carga —e mais leve, sem risco de encalhar. É dessa forma que a navegação por trechos mais rasos devido à seca se torna viável. Ainda de acordo com a consultoria, o calado (distância entre a linha da água e o ponto mais baixo do casco) em Itacoatiara está em 10,2 metros, abaixo dos 11,5 metros registrados na região quando não há estiagem. Apesar do cenário ruim, Carelli diz que a seca deste ano é menos severa em relação à estiagem registrada em 2023 e em 2024. "[Essas] Foram as piores dos últimos 100 anos", afirma. Carelli explica que a rota é utilizada por armadores para transportar grãos, como arroz, produtos de higiene e limpeza e produtos manufaturados produzidos na Zona Franca de Manaus, como televisões e motocicletas. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisõesUm dos píeres temporários instalados em Itacoatiara é do Grupo Chibatão e está em operação desde 18 de setembro. A expectativa é que a estrutura continue a ser utilizada até a primeira semana de dezembro, segundo o diretor-executivo do grupo, Jhony Fidelis. O píer tem 277,5 metros de comprimento e 24 metros de largura e é capaz de fazer sete movimentos de guindaste por hora. A empresa estima que terá um custo adicional de R$ 80 milhões com o uso da estrutura, o que inclui gastos com pessoal, alimentação, hospedagem, combustível e transporte. De acordo com a Antaq, o rio Negro, principal afluente da margem esquerda do rio Amazonas, registrou baixa no nível da água nos últimos dias e caiu ao patamar de 16,97 metros, em medição feita em 21 de outubro. Apesar das restrições de navegação, o cenário é ainda melhor do que em 2023, quando, na mesma data, o rio registrava 12,90 metros de profundidade. Obras de dragagem realizadas pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) no trecho entre Itacoatiara e Manaus amenizaram os efeitos da seca e proporcionaram um ganho de 1,2 metro na profundidade, segundo a Antaq. O órgão regulador afirma que intensificou o acompanhamento das condições operacionais na região amazônica, com vistorias técnicas em Itacoatiara, Tabatinga (AM) e Benjamin Constant (AM), além das travessias de Manaus-Careiro da Várzea e Igapó-Açu. A Antaq diz também que já aprovou operações excepcionais para terminais temporários de Grupo Chibatão, Super Terminais e Ageo Novo Remanso. Segundo o órgão, a medida busca "assegurar alternativas para a movimentação de cargas durante o período de estiagem". MUDANÇA NA OPERAÇÃO FORÇA PROCURA POR MODAL AÉREO O aeroporto de Manaus diz ter registrado aumento de 6% na demanda para transporte de cargas em setembro na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo a gerente-geral de cargas da Vinci Airports para os aeroportos da Amazônia, Luciana Procoro. Em todo o ano de 2026, a alta foi de 2%. Procoro afirma que a concessionária tem feito adaptações para garantir o transporte de carga durante a estiagem, o que inclui uma solicitação à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) para que os cargueiros internacionais consigam realizar trechos nacionais. "Os cargueiros internacionais não podem fazer pernas nacionais. Se sai de Miami e para aqui em Manaus, ele tem que retornar para Miami. E, com o advento da seca, a gente consegue, através de liberação da Anac, que esse mesmo avião consiga fazer trechos nacionais. Então, por exemplo, o cargueiro sai de Miami e pode ir para São Paulo e vir para Manaus", explica Procoro. Ela afirma que, com as mudanças climáticas, os setores de transporte terão o desafio de integrar os modais e construir soluções logísticas que garantam efetivamente o abastecimento da indústria. "Esses eventos climáticos extremos, como é o caso do El Niño, podem ampliar a necessidade de utilização do transporte aéreo, do modal aéreo, como alternativa logística, especialmente quando a gente fala aqui da Amazônia."

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