Sandro Filho (PP), surpresa na Bahia, une origem perif�rica e discurso de direita

Sandro Filho (PP), surpresa na Bahia, une origem perif�rica e discurso de direita

Foi uma surpresa até para ele. Disputando a eleição em um dos principais enclaves da esquerda, o vereador em Salvador Sandro Filho (PP) atingiu a marca de 167.394 votos. Superou deputados com mandato e caciques tradicionais para se tornar o candidato mais votado da federação União Progressista na Bahia. Aos 21 anos, Sandro chega à Câmara dos Deputados embalado por um discurso de direita sem adesão automática ao bolsonarismo, por vídeos nas redes sociais e pela própria experiência de um jovem negro que cresceu no bairro de Coutos, no Subúrbio Ferroviário Salvador. "Vejo minha eleição como o despertar de uma juventude que enfrenta diversas mazelas sociais, principalmente aqui na Bahia. São jovens de periferia que, como eu, cresceram passando por dificuldades. Eu perdi metade dos meus amigos na comunidade em que eu nasci e fui criado", afirma. A violência é um dos eixos centrais do discurso de Sandro, que viu de perto a ascensão de facções criminosas em sua comunidade. É evangélico, mas não usa a religião como plataforma eleitoral e adota um discurso menos ligado às pautas morais. Ainda na adolescência aproximou-se da política institucional por meio do MBL (Movimento Brasil Livre), atual partido Missão. Era ligado ao grupo quando foi eleito vereador em Salvador aos 19 anos, com 12,5 mil votos, pelo PP. O plano era ser candidato a deputado pelo Missão, mas ele foi expulso do MBL após conflitos internos, acusado pelo próprio grupo de indicar a esposa para uma empresa prestadora de serviço da Prefeitura de Salvador. Na época, disse que as acusações eram falsas e que se afastou por decisão própria. Sua trajetória tem relação direta com as redes sociais, onde costuma fazer críticas ao presidente Lula (PT) e ao governador Jerônimo Rodrigues (PT). Uma de suas marcas são os vídeos com a fiscalização de obras e serviços públicos, parte deles cercados de controvérsia. No início da campanha, em setembro, surgiu trajando uma roupa de mergulho dentro do mar da baía de Todos-os-Santos. Seu objetivo, afirmou em um vídeo, era fiscalizar a instalação das vigas da plataforma provisória para construção da ponte Salvador-Itaparica. Eleições Hoje Receba no seu email destaques das campanhas, pesquisas e disputas nos estados Nos vídeos, quase sempre está vestido com um colete à prova de balas, o que lhe rendeu críticas dos adversários. Sem citá-lo diretamente, o senador eleito Rui Costa (PT) comparou o traje a "uma melancia no pescoço". Sandro afirma que vai trabalhar pela eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL) contra o presidente Lula, mas diz que sua atuação política se guia por sua ideologia, e não pelas decisões de um grupo político. "Eu não sou bolsonarista, eu sou de direita." O deputado eleito diz ver a eleição de Flávio Bolsonaro como um caminho para retirar o PT do governo federal. E disse ter se surpreendido com o senador, que estaria "corrigindo os erros do pai." Ao mesmo tempo, festeja o crescimento de uma nova geração de políticos que se comunica diretamente pelas redes. "Ou o jovem se rende a essa realidade e acaba se entregando e se torna estatística. Graças a Deus eu despertei."

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