Sa�da de Fl�vio Bolsonaro � fuga para 49% e ex�lio para 47%, diz pesquisa

Sa�da de Fl�vio Bolsonaro � fuga para 49% e ex�lio para 47%, diz pesquisa

A saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil é interpretada como fuga para evitar a prisão por 49,2% dos eleitores entrevistados em uma pesquisa realizada na semana passada pelo Labop FESPSP (Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo). Outros 47% responderam que o senador e candidato derrotado na eleição presidencial teve de deixar o país por perseguição. Essa divisão acompanha o voto no segundo turno: 98% dos eleitores de Lula (PT) dizem que Flávio fugiu, enquanto 95% dos que votaram em Flávio apontam como motivo exílio e perseguição. Entre os entrevistados classificados como de esquerda não lulista, 99% veem fuga. Na direita não bolsonarista, 95% adotam a versão de perseguição. Para o cientista político Jairo Pimentel, coordenador da pesquisa, a análise dos dados mostra que "não há propriamente uma disputa sobre os fatos". "Há duas leituras do mesmo fato, determinadas pela identidade política", diz. Ele acrescenta que o estudo sugere que o voto passou a "funcionar como uma espécie de filtro para interpretar a realidade".A pesquisa foi realizada entre 27 e 29 de outubro, dois dias após o segundo turno e quando foi confirmada a informação de que Flávio foi com a família para os Estados Unidos. Foram ouvidos 1.926 eleitores que votaram no segundo turno, por meio de questionário online autoaplicado, divulgado em anúncios no Facebook e no Instagram. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Entre os entrevistados que se declaram independentes politicamente, 47,3% afirmam considerar que houve fuga e 42,8% apontaram perseguição. Outros 9,9% disseram que não têm opinião formada. Segundo o professor Beto Vasques, coordenador do Labop, a pesquisa reforça o conceito de que estamos "vivenciando a época da ‘pós-mentira’". "O mais relevante para o processo de tomada de decisão já não é o grau de veracidade ou de evidências de um determinado fato, mas a possibilidade desta decisão ratificar o viés de confirmação prévio do indivíduo", diz ele. A partir de fevereiro, quando termina seu mandato, Flávio enfrentará dois inquéritos criminais sem foro especial. O primeiro trata do pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, sob a justificativa de financiar o filme "Dark Horse", sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Assim como Vorcaro, o senador é investigado sob suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Ele negou qualquer irregularidade em relação ao caso e disse que o filme só tem recursos privados. Outra investigação trata das relações de Flávio com o advogado Willer Tomaz, amigo do candidato derrotado. É apurada suspeita de lavagem de dinheiro. À Folha, a campanha do senador disse anteriormente que a relação dele com Willer é exclusivamente de amizade. No domingo (25), após o fim do segundo turno, o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que a Polícia Federal cancelasse os passaportes brasileiros do senador e que ele entregasse qualquer passaporte estrangeiro, o que ele não fez. Não havia ordem de prisão ou medida semelhante contra o senador, e a PF não o monitorava quando ele deixou sua residência em Brasília.com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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