O comediante e ator britânico Russell Brand afirmou nesta quarta-feira (28) que amigos e colegas se voltaram contra ele depois que surgiram acusações de crimes sexuais, antes de dizer a um júri em um tribunal de Londres que o consentimento era fundamental. Brand, que já foi presença constante na televisão britânica e estrelou vários filmes de Hollywood, é julgado por três acusações de estupro, três de agressão sexual e uma de tentativa de atentado ao pudor envolvendo seis mulheres, entre 1999 e 2009. O ex-marido da cantora norte-americana Katy Perry, de 51 anos, nega todas as acusações. Ao depor no banco das testemunhas na terceira semana de seu julgamento, em Londres, Brand respondeu "não" em voz alta e clara quando seu advogado perguntou se ele havia cometido algum dos crimes dos quais é acusado. O júri já havia sido informado de que todas as denunciantes procuraram a polícia após a exibição de um documentário em 2023, acompanhada pela publicação de diversas reportagens de jornal com acusações anônimas feitas por outras mulheres que não participam do julgamento. Brand, vestindo um terno preto, camisa branca com o colarinho aberto e gravata preta frouxa, disse que o impacto foi "devastador", já que amigos lhe deram as costas e nenhuma pessoa se dispôs a testemunhar em sua defesa. Questionado por seu advogado, Ian Winter, se essas pessoas "chegariam perto de você nem com uma vara", ele respondeu: "Não". "O CONSENTIMENTO É FUNDAMENTAL", DIZ BRAND Ao descrever como sua imagem pública cresceu ao longo do tempo, Brand disse que seu casamento com Katy Perry, em 2010, lhe trouxe uma "fama extraordinária". O casal se separou 14 meses depois. Os promotores, que concluíram a apresentação do caso contra ele na manhã desta quarta-feira, descreveram Brand como um predador sexual. Segundo a acusação, Brand estuprou uma mulher depois de conhecê-la em um evento paralelo à conferência do Partido Trabalhista, em 1999; obrigou outra mulher a praticar sexo oral nele no banheiro de um bar de Londres, em 2004; e molestou uma terceira mulher em uma estação de rádio, em 2004 ou 2005. Ele também é acusado de tentar arrastar uma mulher para o banheiro masculino da MTV Europe, em Londres, onde ela trabalhava, em 2001, e de, em 2009, ter estuprado analmente uma mulher que havia concordado em manter relações sexuais consensuais na casa dele. A última acusação é de que ele agrediu uma mulher que trabalhava na emissora de televisão Channel 4, onde ambos participavam de um projeto de gravação. Ao descrever o impacto das acusações contra ele, Brand disse que foi impedido de entrar no hospital onde seu filho passava por uma cirurgia cardíaca de peito aberto após a exibição do documentário. "Minha vida inteira foi consumida por esses acontecimentos, por essas alegações, por essas acusações e pelo impacto dessas alegações e acusações", afirmou. "Dediquei-me inteiramente a essas questões." Brand disse que a primeira denunciante manteve relações sexuais com ele por vontade própria. "O consentimento é fundamental, essencial, necessário e, de fato, mais importante do que o próprio sexo", afirmou.
Russell Brand diz que amigos o abandonaram ap�s acusa��es de crimes sexuais
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