Um homem de 68 anos acusado de tentar matar a esposa a facadas em São Paulo em outubro de 1999 foi preso na quinta-feira (17) em Mossoró, no Rio Grande do Norte —as duas cidades estão a cerca de 2.200 quilômetros de distância. José Soares de Souza era procurado desde 2005, quando a Justiça decretou sua prisão —o mandado foi renovado em 2024 e valia até 2044. A reportagem não conseguiu identificar se ele tem defesa constituída. No processo não há menção a advogados, uma vez que ele fugiu antes de prestar depoimento durante a investigação. A vítima, que sobreviveu a diversas facadas pelo corpo, ficou com sequelas que a impossibilitaram de trabalhar. Conforme a polícia, Souza fugiu quando a investigação começou e seu paradeiro era desconhecido desde então. Ele é natural do Rio Grande do Norte. O endereço onde ele morava foi descoberto por agentes do DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa) da Polícia Civil de São Paulo, que avisaram as autoridades potiguares. Uma equipe então foi enviada até o local para prendê-lo. A diretora do DHPP, Ivalda Aleixo, disse que foram feitas novas investigações com o uso de tecnologia para encontrar o suspeito. "Tínhamos o mandado de prisão em nossos bancos e sempre voltamos nesses casos em que não foi possível dar cumprimento", disse ela. Souza está preso no Rio Grande do Norte, mas deverá ser transferido para cumprir a prisão em São Paulo. Com isso, o processo contra ele poderá voltar a andar —como ele fugiu, o caso estava parado na Justiça. Ele é réu por tentativa de homicídio e deverá ser levado a um tribunal do júri, responsável por julgar crimes intencionais contra a vida do Brasil. Em depoimento, mulher descreveu ataque A Folha teve acesso ao inquérito do caso, aberto há quase 30 anos. Segundo o documento, o ataque a facadas aconteceu por volta das 4h30 de 12 de outubro de 1999 dentro da casa do casal, no Jardim Ibirapuera, zona sul de São Paulo. A vítima tinha 37 anos na época. Em depoimento realizado em 2005, a mulher disse que eles eram casados há 20 anos quando aconteceu a agressão. Ainda de acordo com ela, o relacionamento tinha entrado em crise em 1998, e por isso, procurou um advogado para auxiliá-la na separação. Segundo a mulher, Souza não aceitou e passou a agredir tanto ela quanto os filhos do casal. A vítima afirmou que chegou a ir a uma delegacia da mulher para relatar a situação, mas não detalhou se o caso chegou a ser investigado. Ela afirma no depoimento que no dia do crime tinha avisado Souza da decisão de se separar. "Na hora que eu falei pra ele que não tinha mais nada pra gente conversar, que já estava tudo esclarecido, que realmente eu ia sair da casa, ele me atingiu nas costas com duas facadas. A primeira das costas eu me debati bastante, aí foi horrível, as crianças acordaram", afirmou ela em 2005. A juíza perguntou se a mulher sabia que o marido estava com uma faca, e ela negou. "Não sabia, os meus próprios filhos escondiam as facas, as ferramentas dele de medo dele fazer alguma coisa, até porque se acontecesse qualquer coisa, ele já pegava alguma coisa para agredir". A mulher disse que as agressões pararam quando o filho mais velho, à época com 18 anos, interveio. Outro filho adolescente pulou o muro da casa e foi chamar a polícia. Depois disso, contou, nunca mais viu Souza. "Fiquei internada quase dois meses, fiz tratamento por três anos. Hoje fiquei com sequelas, não trabalho mais, mas foi difícil de entender isso", acrescentou. Caso demorou a ser investigado Após a agressão, a mulher registrou um boletim de ocorrência, mas a Polícia Civil teve dificuldade em localizá-la para ser ouvida. Apenas em janeiro de 2000 ela compareceu até um escritório da Promotoria, de onde foi encaminhada à delegacia responsável pela investigação. Com isso, a apuração começou a avançar, com diligências em São Paulo e no Rio Grande do Norte. Em outubro de 2004, o promotor César Ricardo Martins queixou-se da demora da Polícia Civil paulista no caso. No mesmo ano, o Ministério Público denunciou Souza por tentativa de homicídio, o que foi aceito pela Justiça. Na época, o paradeiro dele já era desconhecido. Em 2005, houve uma tentativa de realizar uma audiência do processo, mas ele não compareceu. Por isso, a juíza Claudia Carneiro Calbucci Renaux decretou a prisão preventiva (sem prazo para a soltura). "Torna-se indispensável, em consequência, decretação da prisão preventiva, uma vez que ausência do réu, a partir de agora, prejudica seriamente instrução criminal, também, de modo indireto, aplicação da Lei Penal", escreveu ela no despacho. Com a ordem, a polícia deu início às buscas por Souza, concluídas na semana passada.
R�u por tentar matar a mulher em SP � preso a 2.000 km ap�s mais de 20 anos de buscas
Full Article
Original Source
Read the full article at Www1 →KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.