R�ssia mata 12 na 6� noite seguida de ataques a Kiev

R�ssia mata 12 na 6� noite seguida de ataques a Kiev

Pela sexta noite seguida, ataques aéreos da Rússia atingiram Kiev e o entorno da capital ucraniana de segunda (31) para terça (1º). Ao menos 12 pessoas morreram na ação, que atingiu áreas residenciais, mas foi focada na infraestrutura ferroviária da cidade. O bombardeio seguiu um novo padrão das forças de Vladimir Putin, que têm explorado uma escalada na guerra iniciada pelo russo em fevereiro de 2022. Agora, Moscou tem alternado mega-ataques com ondas constantes. Elas empregam menos armamentos, mas são mais focadas. A Força Aérea da Ucrânia foi seletiva na divulgação de números, mas disse que 218 drones de ataque foram usados, e 187 abatidos. Também foram interceptados mísseis de cruzeiro, e ao menos cinco balísticos —reflexo do pequeno fornecimento de munição para baterias americanas Patriot, demanda constante do presidente Volodimir Zelenski. A novidade dessa tática é o emprego maior das versões a jato do famoso drone suicida Gerânio-2, versão russa do iraniano Shahed-136. Eles voam a até 600 km/h, ante 180 km/h do modelo com motor de pistão a hélice, o que torna o drone mais difícil de abater. A taxa de interceptação dos aviões-robôs a jato é de 60%, segundo os militares, ante entre 80% e 90% das versões anteriores, ainda usadas. As ondas abrem caminho, saturando defesas aéreas, para mísseis. Segundo o porta-voz da Aeronáutica, Iurii Ihnat, foram disparados cerca de 90 dos drones a jato contra a Ucrânia, principalmente Kiev, em média a cada dia de agosto. O mês manteve a alta mortalidade de civis que marca esta etapa da guerra. Segundo dados do americano Acled (Projeto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos, no acrônimo em inglês), até o dia 20 houve 20 mortos em média por dia no conflito, 15 deles na Ucrânia. O patamar é semelhante ao de julho, mês que teve mais mortos não combatentes no conflito desde março de 2022, na aurora da guerra. O mais mortal ataque do conflito na região Kiev ocorreu no sábado (29), quando 38 pessoas morreram no subúrbio de Butcha após um depósito de armas próximo a casas ser atingido. Também houve ataques à região portuária de Odessa, centro da exportação de grãos da Ucrânia no mar Negro. Na mão contrária, Kiev alvejou um dos maiores terminais de embarque de petróleo da Rússia, Ust-Luga, perto de São Petersburgo, e casas próximas a uma refinaria em Samara (sudeste de Moscou). A campanha da Ucrânia deste ano também tem se mostrado mais mortífera contra civis russos, e provocou uma crise de desabastecimento de combustível no país de Putin. Além disso, serviços de entrega online foram desarranjados com o bombardeio de centros logísticos das gigantes Wildberries e Ozon. A violência de lado a lado é a maior, em número de incidentes, em todo o conflito. Ela reflete a falta de avanço no campo diplomático, onde a tensão de Moscou com os rivais do Ocidente também está em alta —na semana passada, o chefe da espionagem americana foi à Rússia discutir o assunto. Nesta terça, a porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, lançou ameaças. Comentando as queixas de países da região do Báltico acerca de ações russas, ela disse que "a resposta a esses instigadores de ações irresponsáveis contra a Rússia será decisiva e devastadora para eles". Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Mais cedo, a Estônia havia dito que drones ucranianos lançados contra a Rússia chegaram a entrar em seu espaço aéreo, o tipo de confusão que Kiev atribuiu a ações de Moscou, que as nega. A chancelaria também disse que o novo embaixador russo no Reino Unido será anunciado quando "for a hora". Com Londres, a crise gira em torno do fornecimento de tecnologia para produção de mísseis a Kiev, que levou Moscou a ameaçar os britânicos com ataques diretos. Zakharova também se referiu à tensão entre seu país e o Japão, que disputam ilhas em um arquipélago no Pacífico desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Ela disse que um exercício militar entre japoneses, americanos e australianos a partir do dia 8 é uma afronta aos interesses de Moscou. "Nós informamos o lado japonês que a ação militar provocativa é categoricamente inaceitável", disse. A principal queixa é o emprego de lançadores de mísseis Typhon, que podem disparar mísseis de cruzeiro Tomahawk, nos exercícios.

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