R�ssia e Ucr�nia realizam opera��o humanit�ria e retiram moradores de cidade ocupada

R�ssia e Ucr�nia realizam opera��o humanit�ria e retiram moradores de cidade ocupada

Moradores de Olechki, cidade no sul da Ucrânia sob controle russo e atingida por uma crise humanitária, foram retirados de ônibus nesta sexta-feira (30) em uma operação conjunta entre Moscou e Kiev, a primeira do tipo em quatro anos e oito meses de guerra. A iniciativa ocorreu sob um cessar-fogo local mediado pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, com participação do papa Leão 14. Um comboio de ajuda chegou à cidade para distribuir alimentos, medicamentos, produtos de higiene e combustível. Os moradores que decidiram partir foram transportados inicialmente para a Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, em 25 ônibus e nove ambulâncias, segundo a comissária russa de direitos humanos, Yana Lantratova. Na cidade de Armyansk, no norte da península, as autoridades organizaram dois comboios, conforme o destino dos passageiros. Lantratova afirmou que a operação ocorreu sem incidentes. Segundo o parlamentar ucraniano David Arakhamia, os moradores que pretendiam voltar à Ucrânia seriam levados de Armyansk a Anapa, no sul da Rússia, antes de embarcar em um voo para Belarus e seguir de ônibus até o território ucraniano. O percurso total supera 1.600 km. A operação foi marcada pela cooperação entre autoridades dos dois países, que apareceram lado a lado para conversar com jornalistas e moradores. Apesar disso, o Kremlin afirmou que o episódio não representa necessariamente um avanço nas negociações para encerrar a guerra."Esta é uma situação isolada, difícil de extrapolar para todo o processo de resolução do conflito nesta etapa", disse o porta-voz Dmitri Peskov. Não estava claro quantas pessoas decidiram permanecer em Olechki, situada na linha de frente da guerra no sul da Ucrânia. Minas e drones dificultavam o deslocamento para outras áreas, enquanto a falta de alimentos e água agravava a crise humanitária. Moradores relataram ter arriscado a vida em estradas minadas, uma delas conhecida como "estrada da morte", para buscar comida e água. Alguns disseram sobreviver com pouco mais de uma xícara de arroz ou trigo-sarraceno por dia. Durante a operação, uma mulher disse ao ouvidor de direitos humanos da Ucrânia, Dmitro Lubinets, que muitas pessoas continuavam na cidade. O cessar-fogo entrou em vigor na terça-feira (27) em Olechki e em toda a região de Kherson, com previsão de término no domingo (1º). Lubinets afirmou que, pela extensão da linha de frente, era a trégua mais abrangente e duradoura da guerra. Rússia e Ucrânia elogiaram o papel de Melania Trump na mediação do acordo. Os dois governos têm interesse em demonstrar ao presidente Donald Trump disposição para cooperar e evitar serem responsabilizados por um eventual fracasso da iniciativa. A operação também teve valor político para Moscou. A televisão estatal russa exibiu caixas de ajuda com a bandeira do país, carregadas por pessoas que vestiam camisetas com os dizeres "Equipe de Putin — Frente Popular". O Comitê Internacional da Cruz Vermelha afirmou que não havia sido chamado a participar da operação, mas estava pronto para prestar assistência caso solicitado. A ONU também não recebeu pedido de apoio, segundo o órgão. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo As negociações de paz mediadas por Washington devem ser retomadas em novembro, após uma interrupção de nove meses. Moscou e Kiev, no entanto, continuam distantes quanto às condições para encerrar o conflito. Enquanto a operação humanitária era realizada, os ataques prosseguiram em outras frentes da guerra. Bombardeios russos durante a noite atingiram sete regiões, incluindo Kiev e Dnipro, no sudeste do país. Na quinta-feira, um drone russo matou pelo menos 15 pessoas em uma plataforma ferroviária em Dnipro, segundo autoridades ucranianas. Moscou também acusou Kiev de retomar ataques contra refinarias de petróleo russas, apesar de um pedido de Trump para interromper essas ações.

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