R�ssia deixa Ucr�nia no escuro; bombas planadoras matam 31

R�ssia deixa Ucr�nia no escuro; bombas planadoras matam 31

O começo da semana que antecede a volta das negociações mediadas pelos Estados Unidos sobre a Guerra da Ucrânia foi marcado por violência. A Rússia deixou parte do país vizinho no escuro em um mega-ataque nesta terça-feira (3), e o número de mortos numa ação isolada na véspera chegou a 31. Do lado ucraniano, mais uma refinaria foi atingida em solo russo, contrariando o pedido do presidente americano, Donald Trump, para o fim de tais ataques, visando a manter o fluxo de diesel comprado da Rússia no polêmico acordo fechado com Vladimir Putin para tentar baixar o preço dos combustíveis nos EUA antes das eleições desta terça. A troca de fogo mantém a praxe de outras vésperas de negociações, com os lados tentando manter uma posição de força. Nesta terça, o Kremlin confirmou que as conversas trilaterais, mediadas pelos EUA em Abu Dhabi, voltarão a ocorrer após nove meses de pausa devido à guerra no Irã. Em campo, o presidente Volodimir Zelenski disse que o número de mortos no ataque a uma escola usada como centro de distribuição de ajuda humanitária em Zaporíjia (sul) foi de 31, um dos maiores no ano. Foram empregadas bombas de gravidade equipadas com kits para planar por quilômetros, evitando a exposição dos seus caças-bombardeiros Su-34 a fogo antiaéreo. Segundo Zelenski, uma primeira bomba caiu quando as filas se formavam no local, e outras vieram depois, durante o socorro às vítimas. Ao longo da noite, Moscou lançou 76 mísseis, 17 deles balísticos de difícil interceptação, e 289 drones diversos contra a infraestrutura energética em 10 das 24 regiões ucranianas. Três usinas termoelétricas foram atingidas e saíram de operação, deixando vastas áreas do país sem luz, inclusive Kiev. Os blecautes antecedem a chegada do inverno europeu, no próximo mês, e alimentam o temor entre os ucranianos de mais uma estação dura, sem acesso regular a energia enquanto as temperaturas ficam abaixo de zero. A pressão acompanha o acirramento das batalhas na frente de Donetsk, no leste do país, onde Putin tenta pressionar por uma vitória final sobre os 15% da região ainda sob domínio de Zelenski. Mas há relatos de contra-ataques ucranianos bem-sucedidos em alguns pontos, tornando os ganhos russos incertos. Tudo isso visa estabelecer posições de força antes das negociações, que pelo lado russo serão lideradas por Vladimir Medinski, conhecido aliado de Putin que teve o mesmo papel nas fracassadas conversas na Turquia de 2022. Isso sugere a manutenção das demandas maximalistas da Rússia: tomada territorial e neutralidade ucraniana, para começar. Já nesta quarta (4) haverá uma reunião preliminar entre americanos, ucranianos e representantes de países europeus em Bruxelas, que estão até aqui de espectadores do processo conduzido por Trump. Ao mesmo tempo, dois dos mais vocais aliados de Kiev, a França e o Reino Unido, anunciaram que irão comandar um exercício com outros nove países europeus na Polônia neste mês para simular o envio de uma força de paz à Ucrânia. A iniciativa tem tudo para irritar o Kremlin, que se opõe frontalmente à presença de tropas estrangeiras no país com o qual divide suas maiores fronteiras a oeste. A ação envolve países da Otan, mas não é comandada pela aliança militar ocidental. O teste envolverá 2.800 militares, 1.500 deles franceses e 300, do Reino Unido. Segundo o comandante da manobra, o general britânico Tom Bateman, será treinado o uso da força em caso de ataque por parte dos russos. Por evidente, esse cenário implicaria um confronto direto entre forças de países da Otan e a Rússia, e isso é lembrado sempre que Moscou descarta a possibilidade de negociar tal presença militar. Trump já foi ambíguo em relação à ideia, que lhe agrada por não envolver americanos, mas neste momento ele está bastante alinhado a Putin. O general Bateman também buscou desvincular-se dos aliados americanos, dizendo que todos os equipamentos serão europeus —buscando principalmente substituir a cobertura de satélite do Starshield, a versão militar do Starlink de Elon Musk, que teve a operação limitada para pressionar Zelenski a parar de atacar refinarias russas no mês passado. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Ainda no campo da diplomacia, seguem as tratativas para que a reunião do clube de países da Ásia-Pacífico, na segunda quinzena deste mês na China, envolva um encontro trilateral entre Trump, Putin e Xi Jinping para discutir a guerra. Tal reunião seria uma vitória para o russo, colocado como par entre os dois gigantes da geopolítica, e já gerou protestos na Ucrânia e na Europa pela ausência de seus representantes à mesa. Por fim, na quinta (5) a primeira-dama americana, Melania Trump, receberá enviados de Moscou e Kiev na Casa Branca para agradecer pela trégua que permitiu ajuda humanitária a uma cidade sitiada na área ocupada da Ucrânia.

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