São Paulo Com quase 300 lojas no país, o grupo varejista Ri Happy Brinquedos, dono de marcas como Ri Happy e PBKids, entrou com pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo neste domingo (18). A empresa tenta renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas. Em documento obtido pela Folha, o grupo diz que representa aproximadamente 68% de todo o segmento especializado da venda de brinquedos no país. A empresa alega ter sido duramente afetada pela conjuntura macroeconômica, efeitos da pandemia, mudanças nos hábitos de consumo, alta carga tributária e a intensificação da concorrência externa. A reestruturação acontece após a venda da empresa pela SPX Capital para a BluSun Capital Partners, consolidada em agosto deste ano, o que recolocou o executivo Héctor Núñez à frente do negócio. Varejo de brinquedos vai dar folga aos funcionários no Dia Internacional do Brincar - Divulgação Em 2023, o grupo renegociou R$ 292 milhões de seu endividamento, buscando adequar a dívida à capacidade de geração de caixa da empresa. A permanência dos juros em um patamar mais elevado, no entanto, prejudicou a capacidade de recuperação da companhia. "Os anos subsequentes trouxeram um cenário nacional marcado pela notória crise econômica, notadamente diante de alta da taxa de juros, inflação e elevado custo de capital com impacto direto no nível de alavancagem das empresas e no poder aquisitivo dos consumidores", afirma a companhia no documento. A empresa também alega que a expansão das operações de plataformas de origem asiática, como AliExpress e Shopee, prejudicou o varejo de brinquedos no país. Segundo a Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos), as importações de origem majoritariamente chinesa somaram 75,8% do total de brinquedos vendidos no Brasil em 2025. "A concorrência das importações e dos marketplaces obriga o grupo Ri Happy a reduzir preços e margens para se manter competitivo. No segmento estatístico, que inclui lojas de brinquedos, o crescimento desacelerou de 7,1% em 2024 para 2,2% em 2025", afirmou a empresa. A empresa, agora, terá 90 dias para conseguir consolidar a aprovação do plano junto aos credores. No documento, a Ri Happy diz já ter conseguido a adesão de 42,38% dos donos de créditos junto ao grupo, o equivalente a R$ 308,8 milhões. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisõesPRINCIPAIS CREDORES A lista de credores da empresa, obtida pela Folha, conta com nomes como o fundo Carlyle, com quase R$ 100 milhões em créditos, bancos como Banco do Brasil (R$ 94 milhões) e Santander (R$ 58,5 milhões), além de fornecedores como Mattel (R$ 54 milhões), Hasbro (R$ 50 milhões) e Sunny Brinquedos (R$ 42 milhões), entre outros. Fundada em 1998, com a inauguração de sua primeira loja física em São Paulo, a Ri Happy rapidamente se consolidou entre as principais varejistas de brinquedos do país. Em 2012, a companhia foi adquirida pelo fundo de investimentos Carlyle, que comprou a PBKids. Recentemente, seu controle passou para a BluSun Capital. Hoje, a empresa afirma ter 292 unidades, sendo 204 lojas próprias e 88 sob o regime de franquia, em todas as regiões do Brasil. Emprega diretamente mais de 2.600 pessoas e possui uma oferta de mais de 5.000 produtos. A companhia comercializa um volume médio de aproximadamente 16,3 milhões de produtos ao ano e apresenta uma receita líquida média de R$ 1,2 bilhão por ano. Antes de solicitar a recuperação extrajudicial, Núñez disse que a empresa queria fazer "a melhor sazonalidade da história". A crise vivida pela Ri Happy não é exclusividade dela. A Estrela, uma das principais fabricantes de brinquedos do país, entrou com um pedido de recuperação judicial recentemente para reestruturar dívida de R$ 109,2 milhões. RAIO-X | RI HAPPY Fundação: 1998 Sede: São Paulo Funcionários: 2.600 Unidades: 292 (204 próprias e 88 franquias) Receita anual: R$ 1,2 bilhão Concorrentes: Armarinhos Fernando, AliExpress, Shopee
Ri Happy pede recupera��o extrajudicial para renegociar R$ 827 milh�es em d�vidas
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