Republicanos marca conven��o para ter�a e deve rejeitar alian�a com Fl�vio Bolsonaro

Republicanos marca conven��o para ter�a e deve rejeitar alian�a com Fl�vio Bolsonaro

O Republicanos marcou sua convenção para terça-feira (4) e deve rejeitar uma aliança com o senador Flávio Bolsonaro (PL), de acordo com três parlamentares da cúpula do partido e dois dirigentes nacionais. O presidente da legenda, deputado federal Marcos Pereira (SP), está finalizando uma consulta aos diretórios estaduais, e a maioria teria optado pela neutralidade na eleição presidencial —uma exceção é São Paulo, do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que defende a coligação com o PL. Nesta sexta-feira (31), o PP confirmou que também não apoiará a candidatura de Flávio, apesar da pressão feita pelo PL para que a senadora Tereza Cristina (PP-MS) aceitasse concorrer como vice na chapa. A cúpula do PP se encontrou em São Paulo na quarta-feira (29) e preferiu liberar os diretórios estaduais para que apoiem o presidenciável que melhor se adaptar a realidade de cada região —o que fará com que a maioria dos parlamentares do partido no Nordeste apoiem Lula (PT), enquanto os da região Sul, Sudeste e Centro-Oeste ficarão com Flávio. O Republicanos deve seguir o mesmo caminho de liberar cada estado a apoiar o candidato que for mais conveniente. Para integrantes do partido, optar pela neutralidade em um cenário de polarização nacional é o melhor caminho para ampliar a eleição de deputados federais em outubro. Brasília Hoje Receba no seu email o que de mais importante acontece na capital federal Com a rejeição do PP e provável negativa do Republicanos, Flávio Bolsonaro está isolado na disputa eleitoral, com apoio apenas do PL, o que lhe deixará com 20% de tempo de propaganda eleitoral na TV e no rádio a menos do que o presidente Lula, que disputará a reeleição. Flávio terá 4min20s de propaganda em cada bloco do programa eleitoral de 12min30 na TV e rádio. Um minuto a menos do que Lula, que contará com 5min32s de cada programa. Além deles, apenas Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) terão direito a propaganda. O primeiro vai dispor de 2min2s e Cury, de 36 segundos. O Republicanos é a última esperança do PL para conseguir o apoio de um partido mais robusto a Flávio. Em troca, o senador ofereceu a vice na chapa —que ele deseja que seja ocupada por Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e recém-filiada ao partido. A indicação, porém, não mobiliza dirigentes do Republicanos a favor da aliança, já que a filiação de Daniella não tem relação com Pereira e ela não é vista como um quadro que representa o partido. Aliados de Flávio também sugeriram a possibilidade de indicar Pereira para vaga no STF (Supremo Tribunal Federal), o que foi rejeitado publicamente pelo presidente do partido. Interlocutores do governador Tarcísio afirmam que a maior parte do Republicanos de São Paulo é favorável ao apoio a Flávio, mas admitem que estão em minoria em relação ao restante do país. De qualquer forma, Tarcísio e Pereira terão uma reunião neste sábado (1º), antes da convenção do governador, e devem tratar da possibilidade de coligação nacional. Segundo dois dirigentes da sigla, a perda de força de Flávio após a revelação de que ele pediu e recebeu dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, reduziu há meses as chances de uma aliança. As pesquisas internas do partido apontam que isso fragilizou a candidatura, até então considerada muito competitiva. Flávio diz que o dinheiro era exclusivamente para custear um filme sobre a história do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nos bastidores, quem convive com Pereira narra uma série de insatisfações do presidente do Republicanos com o PL, inclusive o vazamento da suposta negociação por uma vaga no STF. Nessa lista, também estão a insistência do partido de Flávio em filiar Tarcísio e ataques do clã Bolsonaro, como a declaração de Eduardo Bolsonaro, em 2023, de que o Republicanos era um partido de esquerda. Segundo políticos do partido, a maioria dos diretórios prefere a neutralidade, seja por estar numa aliança com a chapa ligada ao governo Lula em seu estado, como no caso do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos) na Paraíba, seja por divergências locais com o PL, como no Mato Grosso, onde os dois partidos vão se enfrentar na disputa ao governo. Líder do partido na Câmara, o deputado Augusto Coutinho diz que o diretório de Pernambuco, ao qual ele pertence, votou internamente pela independência na eleição presidencial. "Estamos coligados com o PSB, [o senador] Humberto Costa [PT] e Marília [Arraes, do PDT]. Como a gente não consegue levar o partido para o presidente Lula, trabalhamos pela neutralidade", afirma. Presidente do diretório do Maranhão, o deputado federal Aluísio Mendes diz que defendeu a neutralidade na eleição nacional por uma discordância com o presidente estadual do PL, o também deputado federal José Maria Maranhãozinho. "Combato ele e a forma dele de fazer política desde que eu era secretário de Segurança Pública do Maranhão", afirma Mendes. Já o diretório do Mato Grosso do Sul defendeu o apoio a Flávio. "Para nós, essa seria a posição mais assertiva, por um alinhamento geral. Aqui, estamos coligados com PL e PP. Mas estou sentindo que a tendência [nacional] é a liberação", afirma o presidente estadual do partido, o deputado federal Beto Pereira.

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