Representantes empresariais começaram a divulgar nesta terça-feira (8) uma série de manifestos que expressam indignação com os desdobramentos do escândalo do Banco Master e preocupação com o avanço da crise institucional. A tensão cresce desde a semana passada, quando foram reveladas as mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, além da reação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que pediu anulação de relatório da Polícia Federal sobre o assunto. Nesta terça, o ministro André Mendonça afastou do cargo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Os documentos pedem apuração dos fatos, afastamento de investigados e códigos de ética para autoridades. Alertam também para o impacto da crise reputacional sobre a atração de investimentos. Entidades como Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), CNI (Confederação Nacional da Indústria), Anfavea (que reúne grandes montadoras), CACB (Confederação das Associações Comerciais do Brasil), CNC (Confederação Nacional do Comércio) e Fecomercio-SP (federação de São Paulo) se reuniram em um abaixo-assinado, como a Folha havia adiantado. O manifesto afirma que o Brasil atravessa uma "crise institucional de extrema gravidade" cujo epicentro é o STF e que "não há Estado de Direito sem juízes acima de qualquer suspeita". "A sociedade brasileira exige que o plenário do Supremo examine em sessão pública os fatos, decida com absoluta urgência, sem subterfúgios e sem corporativismo. A resposta que a nação aguarda não admite prazo. Cada dia é um dia a mais de descrédito", afirma um trecho do documento. Além dos manifestos divulgados por entidades de diversos setores empresariais, há documentos assinados por pessoas físicas. Outro texto divulgado nesta terça afirma que "as notícias que vieram a público nos últimos dias não constituem um episódio isolado" e são "consequência de um sistema doente, que deixou de aplicar a si mesmo os freios que impõe a todos os demais". O texto lembra que "as menções alcançam ministros do Supremo, as cúpulas da Polícia Federal e do Ministério Público, do Congresso Nacional, o núcleo próximo do ex-presidente e do atual, os dois polos que disputam poder". Entre os signatários há nomes conhecidos do empresariado, como Antônio Carlos Pipponzi (Raia Drogasil), Eduardo Mufarej (RenovaBR), Frederico Trajano e Luiza Helena Trajano (Magalu), Jayme Garfinkel (Porto Seguro), Guilherme Leal e Pedro Luiz Passos (Natura). A lista inclui ex-presidentes do BNDES, como Maria Silvia Bastos Marques e Persio Arida, e ex-presidentes do Banco Central, como Gustavo Franco e Armínio Fraga, o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, acadêmicos como Hélio Zylberstajn e o apresentador Luciano Huck. Ainda segundo o manifesto, que termina lembrando a proximidade das eleições, o que já se tornou público sobre a investigação do caso Master "indigna os brasileiros e mina a confiança da população na Justiça". Também nesta terça, a ICC Brasil (International Chamber of Commerce), entidade que reúne grandes empresas, bancos e escritórios de advocacia, como Amazon, Banco do Brasil e BMA Advogados, divulgou outra carta aberta manifestando preocupação com as suspeitas de desvios de conduta no poder público. Com o título "Integridade, Governança e Transparência: Pilares Inegociáveis para o Brasil", a ICC defende que "os fatos divulgados sejam apurados com rigor e imparcialidade, por meio dos canais institucionais competentes". Segundo a entidade, a carta é uma posição institucional da ICC, não dos associados individualmente. O site da ICC mostra entre os associados bancos como Santander, Bank of America, BNDES, Bradesco, Itaú e J.P. Morgan, além de companhias de diversos setores, como Johnson & Johnson, CPFL Energia, Embraer, Ericsson, KPMG, Kroll, Mercado Livre, Natura, Nestlé Brasil, Shell Brasil, Siemens e outras. Entre os escritórios de advocacia há nomes como Veirano, Wald, Tauil & Chequer, Tozzini Freire, Pinheiro Neto e Mattos Filho. A carta exalta a integridade e a ética como "valores inegociáveis, e o alicerce sobre o qual se constrói um país confiável e próspero". Também declara preocupação com os impactos econômicos, sociais e para a atração de investimentos. As instituições de Estado, assim como o setor privado, devem operar sob os mais altos e rigorosos padrões de conduta --sem exceções. Quando esses padrões se enfraquecem, o dano não fica restrito à reputação: ele impacta o desenvolvimento econômico e social do país e atinge diretamente todos os brasileiros", diz outro trecho do documento. A carta não cita nenhum órgão expressamente, mas faz menção ao Judiciário e a órgãos reguladores de modo genérico. "Integridade e ética não são apenas imperativos morais. São condições estruturantes para atração de investimentos, segurança jurídica e previsibilidade. Essas condições dependem diretamente da qualidade da governança exercida por órgãos reguladores, agências setoriais, autoridades monetárias, entes do mercado de capitais e pelo próprio Poder Judiciário. Não há competitividade internacional possível onde essa governança é posta em dúvida", afirma. Os primeiros sinais da insatisfação pública começaram na quarta-feira (2). Como mostrou a Folha, o fundador da rede de varejo Petz, Sergio Zimerman, no palco de um seminário de negócios, defendeu que a população se manifeste em protestos de rua pelo fim da "sem-vergonhice". Ele criticava Gonet pelo pedido de nulidade do relatório da PF.
Representantes de empresas e da sociedade civil lan�am manifestos e cobram �tica e urg�ncia do STF
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