Alvo de liminar que o proibiu de participar de debates e fazer propaganda eleitoral digital, o candidato à Presidência Renan Santos (Missão) chamou, nesta segunda-feira (31), a decisão do ministro Dias Toffoli de "cassação branca" de sua candidatura e sugeriu que ela seria uma represália às críticas do partido à relação do ministro com o caso do Banco Master. Em entrevista coletiva concedida a jornalistas, o presidenciável alegou que houve uma falha no sistema de registro da Justiça Eleitoral e disse que problema semelhante foi experienciado por outros candidatos. O advogado Arthur Rollo, que representa a campanha, afirmou que vai entrar com um mandado de segurança TSE (Tribunal Superior Eleitoral), com pedido de liminar para o presidente da corte, ministro Kassio Nunes Marques. "Colocou um empecilho na campanha que é irreversível", disse Rollo sobre a decisão de Toffoli. "Dois, três dias sem campanha eleitoral, no caso de um candidato que não tem dinheiro e não tem tempo de televisão, é absolutamente irreversível." "Aparentemente é um ex-candidato agora falando. [É] um momento muito bizarro da democracia brasileira", disse Renan. Também presidenciável, Flávio Bolsonaro (PL) manifestou solidariedade a Renan em postagem na rede social X e lembrou que o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), está "com suas redes sociais bloqueadas há mais de um ano". Bolsonaro foi preso em agosto passado e condenado por tentativa de golpe de Estado. Em entrevista nesta segunda, o líder do MBL começou falando do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016 e disse que Toffoli foi indicado pelo mesmo grupo político que há anos atrás ajudou a afastar. Renan chamou a decisão de "absurda" e falou em "ditadura do Judiciário". Segundo ele, "hoje é um momento histórico também, uma demonstração dessa inflexão autoritária que existe nos tribunais". A decisão de Toffoli foi tomada após a Folha revelar que Renan omitiu diversas redes sociais ao registrar sua candidatura, tendo pedido correção apenas depois do começo oficial da campanha e abrindo uma brecha para que seus perfis continuassem sujeitos às recomendações algorítmicas, enquanto os canais de seus adversários já haviam sido excluídos pelas plataformas digitais, em cumprimento a uma regra do TSE de 2024.
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