Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) participam de debate na Globo nesta sexta-feira (23) considerado decisivo diante do acirramento da disputa presidencial. Os confrontos na emissora ganharam relevância no calendário eleitoral por ocorrerem a poucos dias da votação e, nos últimos anos, foram marcados ora por troca de acusações, ora pelo tom ameno. Como mostrou a Folha, as equipes de Lula e Flávio preveem mudanças de rota após o debate da Band, que teve profusão de ataques e pouca discussão sobre propostas. De um lado, a equipe do candidato do PL trabalha para evitar que a rejeição dele aumente. De outro, a de Lula espera que ele não se abale com provocações. O debate terá quatro blocos de perguntas e respostas entre os candidatos. Nos três primeiros, o candidato com a palavra poderá circular livremente pelo palco, enquanto o adversário deverá permanecer em seu púlpito. No quarto, cada um poderá se movimentar pelo seu lado do cenário.A restrição foi incluída a pedido da campanha de Lula, e jornalistas da emissora a apelidaram de "regra antideboche" após o senador do PL se posicionar atrás do petista na transmissão da Band. Relembre a seguir o histórico dos debates de segundo turno da Globo nas últimas eleições. 2010: Tom ameno entre Dilma e Serra Em 2010, o confronto direto entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) na Globo foi marcado pelo tom ameno. Ao longo do debate, os candidatos procuraram evitar ataques explícitos. Trataram de pautas como saúde, educação e segurança e evitaram falas sobre aborto, privatizações e corrupção, que tinham sido temas da campanha. Como mostrou a Folha na época, a escolha por um tom menos contundente mais propositivo se deu por motivos diferentes —ela porque, à frente nas pesquisas, não precisava correr riscos, e Serra para não assustar o eleitor indeciso. A Globo estruturou o programa em formato de arena, com eleitores indecisos na plateia. Foram selecionados participantes de diferentes estados, que fizeram perguntas sobre diferentes temas. Os candidatos tinham dois minutos para cada pergunta e resposta, seguidos de dois minutos de réplica e dois de tréplica. No fim, cada um teve o mesmo tempo para considerações finais. Naquele ano, a petista foi eleita com 56,05% dos votos válidos, contra 43,95% do tucano.2014: Acusações entre Dilma e Aécio Na eleição seguinte, o tom pacífico deu lugar a tensão e acusações mútuas entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) sobre pontos fracos da gestão petista e de administrações do PSDB. No debate da Globo do segundo turno, os dois trataram de temas como corrupção na Petrobras, inflação, a crise hídrica em São Paulo e mensalão. Por outro lado, ataques sobre o caráter do adversário ficaram de fora. Naquele ano, as regras previram embates mais curtos. No primeiro e no terceiro bloco, os candidatos fizeram perguntas e respostas um para o outro e depois responderam a perguntas de eleitores indecisos. Tiveram 30 segundos para perguntar e um minuto e meio para responder, além dos 50 segundos para réplica e tréplica. A petista acabou reeleita com 51,64% dos votos válidos, contra 48,36% do tucano. 2018: Eleição sem confronto direto Em 2018, Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (então no PSL) não se enfrentaram em nenhum debate no segundo turno. O petista chegou a confirmar presença, mas Bolsonaro disse que não poderia participar por recomendação médica. Ele havia sido esfaqueado 40 dias antes, durante um ato de campanha em Minas Gerais. Haddad chamou o rival de "fujão" e afirmou que "militar que foge do debate não honra a farda", em entrevista à Rádio Globo no dia em que estava previsto o confronto entre os dois na TV Globo. Bolsonaro foi eleito com 55,13% dos votos válidos, contra 44,87% do adversário. 2022: Ofensas entre Lula e Bolsonaro No mais recente debate presidencial da TV Globo, enfrentaram-se dois políticos com experiência em debates: Jair Bolsonaro (então no PSL) e Lula. O confronto foi dividido em 5 partes, das quais 4 foram para discussões e a última para considerações finais. Os candidatos podiam circular pelo estúdio e administravam o próprio tempo entre perguntas, respostas, réplicas e tréplicas. No início, os dois abordaram temas como salário mínimo e inflação, mas o debate logo saiu da discussão de propostas para ataques. "Pistoleiro", "abortista" e "descompensado" foram alguns exemplos. Bolsonaro associou Lula a casos de corrupção, e o petista abordou a compra de imóveis e a acusação de ''rachadinha'' pela família do rival. Debates sobre a gestão da pandemia e segurança pública também tiveram destaque. Ao fim, o petista foi eleito para um terceiro mandato com 50,90% dos votos válidos, contra 49,1% do então presidente, na disputa presidencial mais apertada desde a redemocratização.
Relembre embates que marcaram os �ltimos debates presidenciais de 2� turno na Globo
Full Article
Original Source
Read the full article at Www1 →KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.