O Reino Unido anunciou nesta terça-feira (20) que irá enviar caças Eurofighter Typhoon para ajudar a proteger as cidades e a infraestrutura energética da Arábia Saudita contra ataques aéreos dos rebeldes houthis do Iêmen. É o segundo país europeu a oferecer ajuda ao reino, que desde o começo do mês começou a receber soldados e baterias antiaéreas francesas para defender o terminal petrolífero de Yanbu, no mar Vermelho, principal saída do óleo saudita desde que a guerra dos Estados Unidos contra o Irã travou o estreito de Hormuz. "O bombardeio do aeroporto de Riad [em que morreram 12 pessoas e 309 ficaram feridas] em particular mostra até onde os houthis estão dispostos a escalar", afirmou o ministro da Defesa, Wes Streeting, em nota. Ele disse que os Typhoon só conduzirão missões defensivas, e não atacarão posições dos rebeldes apoiados pelo Irã. Não foi revelado quantos caças serão enviados. Já operam no país árabe um avião de transporte A-400M e um modelo de reabastecimento aéreo. O Paquistão, que já tinha 8.000 soldados e um esquadrão de caças JF-17 no reino por meio de um acordo do ano passado, também vai enviar reforços não detalhados, agora dentro do pacto militar firmado com Riad e Ancara em agosto. O chamado Acordo de Meca, que está sendo analisado pelo Parlamento turco, prevê a assistência mútua em caso de agressão. A Turquia já disse que dará apoio de defesa aos sauditas, mas descartou o envio de forças ofensivas. A posição militar frágil do reino chama a atenção, que possui segundo análise do britânico IISS (Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, na sigla inglesa) as forças mais bem equipadas da região. Além disso, Riad ocupa o sétimo lugar tanto no ranking de gasto nominal com defesa em 2025, US$ 72,5 bilhões, quanto no de dispêndio proporcional ao PIB, 5,7%. Um dos pontos é que esse poderio bélico é destinado principalmente a combates entre Estados, mais tradicionais, e os houthis têm sua força num grande arsenal de mísseis e drones —na guerra civil que travam contra o governo iemenita apoiado pela Arábia Saudita, seus recursos são menos chamativos. Além disso, há uma avaliação entre analistas militares que, apesar de contar com 449 aviões de combate, inclusive 71 Typhoon de fabricação europeia e 217 F-15 americanos, há falta de experiência e falha de treinamento do reino —que foi alvejado várias vezes neste ano pelo Irã, em retaliação pelos ataques de seu aliado Trump, e não revidou. Mesmo no Iêmen, onde a guerra foi retomada em julho dentro do contexto maior do conflito na região, os sauditas têm usado seu amplo poderio aéreo com efeitos discutíveis. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo A tática assimétrica dos houthis, lançando drones e mísseis contra aeroportos e alvos energéticos, parece tão ou mais eficaz do que os bombardeios dos vizinhos. Há disrupção no tráfego aéreo do país e já são sentidos efeitos políticos, com o cancelamento de eventos comerciais e esportivos na Arábia Saudita. Em solo, os combates estão intensos. Na segunda, 58 militares do governo reconhecido internacionalmente, expulso da capital Sanaa em 2014, foram mortos em um ataque houthi. Havia, segundo relatos, oficiais sauditas entre eles. Uma crise humanitária se desenrola também. Segundo a ONU, 250 mil pessoas já foram deslocadas internamente no Iêmen, e há a necessidade de abertura de um corredor humanitário para a cidade de Taiz, ao sul, que está sitiada pelos houthis.
Reino Unido envia ca�as para ajudar a proteger a Ar�bia Saudita
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