São Paulo Reduzir o horário de funcionamento das lojas pode ser uma saída para o fim da escala 6x1, diz Isaias Bernardes, CEO da rede de franquias Chiquinho Sorvetes. "Vai [nos] pegar em cheio, porque as lojas de shopping abrem das 10h às 10h. Loja de rua depende do mercado, mas tem loja que abre à noite", diz Bernardes. A PEC que acaba com a escala 6x1 foi aprovada nesta quarta-feira (14) no Senado. Segundo o executivo, gráficos de vendas da rede apontam a parte da tarde, a partir das 14h, como o período mais importante para o franqueado, o que indica, segundo ele, que a saída será reduzir o horário de operação e abrir a loja um pouco mais tarde, absorver mão de obra extra e definir o que é mão de obra efetiva e o que é mão de obra rotativa. O CEO da rede de franquias Chiquinho Sorvetes, Isaias Bernardes - Reprodução TVFolha A franqueadora tem 280 colaboradores diretos e outros 10 mil funcionários distribuídos pela rede, uma das 20 maiores do Brasil em unidades, segundo ranking da ABF (Associação Brasileira de Franchising). Ainda reúne 50 fornecedores. Em entrevista ao programa C-Level, Bernardes diz que o mercado acabará se adequando. "Mas o mercado se adequa. Sempre foi assim", diz. "Só espero que não leve ao desemprego, que não é o objetivo disso. Acredito muito que o mercado consiga absorver, estamos no mercado desde 1980", diz, ao lembrar que já passou pelo período de hiperinflação e por todos os planos econômicos. Hoje, a Chiquinho Sorvetes é uma rede de franquias presente em todas as regiões do país, com 1.050 unidades e faturamento conjunto ao redor de R$ 1 bilhão. Para 2026, a expectativa é de uma alta de R$ 50 milhões na receita. Quanto ao tamanho da rede, Bernardes diz que mais de cem franquias foram vendidas no ano e devem ser inauguradas até o primeiro semestre de 2027 —sendo 16 unidades novas vendidas em setembro. A pequena desaceleração —em 2025, a rede inaugurou 140 lojas— deve-se, segundo Bernardes, ao "pé atrás" do investidor em anos eleitorais. Sobre a reforma tributária, cujas primeiras mudanças, previstas para 2027, afetarão a estrutura de impostos sobre o consumo, Bernardes afirma que a alta esperada para a alíquota —de 14% sobre o faturamento para 16%— "é significativa, mas não inviabiliza a nossa operação". A simplificação esperada, por outro lado, deve compensar a possível mudança, pois diminui um pouco o custo. "O que o mercado vê como positivo é a simplificação", diz. Bernardes espera um período de acomodação às novas regras, caso o novo governo as confirme, com "arrumações", sobretudo no setor de serviços, cujas alíquotas considera altas. Isaias Bernardes em unidade da Chiquinho Sorvetes em São Paulo - Ferdinando Ramos - 20.jun.23/Folhapress A rede de sorvetes começou com um plano do produtor rural Francisco Olímpio de Oliveira para dar um rumo à vida de seu filho Isaias, então com 18 anos. Foi assim que nasceu a Chiquinho Sorvetes, em 1980. O negócio familiar, com cerca de 80 lojas, foi transformado em uma rede de franquias em 2010. De próprio, Bernardes tem um centro de treinamento em São José do Rio Preto (SP), uma espécie de loja conceito na principal avenida da cidade pela qual passa todo franqueado. Atualmente, o executivo está construindo uma estrutura maior, em uma área de 275 mil metros quadrados na mesma cidade. A ideia é reunir não só o centro de treinamento de franqueados, mas também as áreas de distribuição, logística, tecnologia, uma agência de publicidade exclusiva da marca e um escritório de arquitetura com 15 profissionais que atuam em projetos de novas lojas e reformas. No total, são cerca de 250 projetos ao ano. O investimento permitiu também a entrada em nova área de negócios, a de água mineral, a partir da descoberta de um poço no local. "Já conseguimos o alvará de lavra, de pesquisa. Então, teremos um segundo investimento, que é a indústria de água mineral, para atender tanto à demanda da rede quanto a do mercado." Mais para frente, a ideia é produzir localmente matéria-prima para os sorvetes também. Bernardes diz que a rede sente o endividamento das famílias, como todo o mercado, mas que o seu bom posicionamento a ajuda a se proteger. Por bom posicionamento, cita o mix de 120 produtos a preços variados —de uma casquinha de R$ 6 a um produto mais bem elaborado, que pode chegar a R$ 30. Perguntado se o mercado não estaria menos atrativo diante da saída de marca relevante, Bernardes discorda. "A Häagen-Dazs se posicionou no mercado como uma marca premium, com custo mais elevado, limitando seu público e seu crescimento", diz, em referência à marca americana que deixou o país em agosto, após quase 30 anos. Outro diferencial da rede, diz o executivo, é o frete de mesmo custo para todo o Brasil, equivalente a um percentual do preço da mercadoria comprada, o que chama de "socialização dos custos". "Se eu pagasse por quilômetro rodado, com o tamanho do Brasil, inviabilizaria o meu crescimento", diz. O investimento necessário para adquirir uma loja, segundo Bernardes, gira em torno de R$ 550 mil a R$ 600 mil, entre taxa de franquia, montagem da loja, máquinas, reforma de ponto e estoque inicial. Entre os custos fixos mensais para manutenção do negócio, destaca aluguel e mão de obra —as lojas mais compactas demandam quatro funcionários; as maiores, até 12. Há ainda a cobrança de royalties de 5% do faturamento e taxa de publicidade de 2%. A previsão de retorno do investimento varia de 20 a 36 meses no plano de negócios, a depender da região, do tamanho da cidade, do clima e da renda local. Há alguns anos, a rede tentou um voo maior, ao abrir três lojas próprias na Flórida. A pandemia, em 2020, abreviou os planos. Segundo Bernardes, a rede espera um segundo momento para retomar a expansão internacional, mas o foco agora está na estrutura montada no interior paulista. O executivo diz que se pudesse se sentar com o próximo presidente da República e pedir uma ou duas medidas concretas, a primeira seria uma melhora da segurança jurídica, com estabilidade e regras claras para o mercado, e a redução de juros. "Muitos dos nossos multifranqueados abriam uma média de quatro lojas ao ano e estão aguardando, segurando caixa, deixando o dinheiro aplicado para ver como será. Precisamos da queda de juro." RAIO-X | CHIQUINHO SORVETES Fundação: 1980 Sócios: Isaias Bernardes (controlador), mais cinco familiares Sede: São José do Rio Preto (SP) Atuação: alimentação e franchising Número de franqueados: 440 Faturamento bruto da rede: R$ 1,050 bilhão Faturamento e lucro líquido: não informa Funcionários: 280 diretos
Reduzir hor�rio das lojas � sa�da para o fim da escala 6x1, diz CEO da Chiquinho Sorvetes
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