Uma rede de luxo que está abrindo lojas por toda Manhattan aposta que clientes de Los Angeles a Chicago estarão dispostos a pagar US$ 32 (quase R$ 163 na cotação atual) por uma xícara de café de 8 onças (cerca de 237 ml). A WatchHouse, sediada em Londres e que inaugurou nesta semana sua quarta unidade em Manhattan, planeja abrir uma loja em Los Angeles no ano que vem e está procurando pontos em cidades como Austin, Chicago e Miami, segundo uma pessoa a par dos planos. Uma quinta unidade em Manhattan será inaugurada no NoMad em setembro, e outra está em construção no complexo Brookfield Place, no bairro de Battery Park City.O Bambito Estate, vendido por US$ 32, é o item mais caro do cardápio da mais nova unidade da rede, no centro de Manhattan. "É meio insano, eu sei", disse o barista Joseph Peachey, 27, enquanto preparava um Bambito Estate. A bebida é feita por infusão com grãos de uma fazenda familiar no oeste do Panamá e servida com um chá verde extraído a frio, que deve ser tomado para limpar o paladar. A WatchHouse surgiu em 2014, quando Roland Horne, fundador e diretor-presidente da empresa, transformou em cafeteria um prédio do século 19 na Bermondsey Street, em Londres. O nome veio do próprio imóvel, uma antiga guarita que abrigava os guardas responsáveis por vigiar uma igreja próxima. Entre os investidores da empresa está a HighPost Capital, firma de investimentos cofundada por Mark Bezos, irmão mais novo do fundador da Amazon, Jeff Bezos. Até agora, a rede tem lojas em Londres, Nova York, Emirados Árabes Unidos e Bath, na Inglaterra. O cardápio da WatchHouse inclui opções mais acessíveis, como um café preto simples por US$ 4 (cerca de R$ 20). Conforme a empresa afirma em seu site, a intenção é receber "tanto o conhecedor quanto o mero curioso". Mas e a xícara de US$ 32? Historicamente, os aficionados por café demonstram tolerância a preços elevados, afirmou Emily Murawski, gerente de pesquisas e insights da Datassential, empresa de pesquisa de mercado de Chicago. Isso é especialmente verdadeiro quando há um grande salto de qualidade, acrescentou Murawski. Em outras palavras, se as pessoas estão satisfeitas com o café que fazem em casa, é esse que tomarão. Se saírem para beber, pagarão mais —mas é melhor que o café seja realmente bom. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Um cliente, Duncan Cock Foster, de 31 anos, cofundador do extinto marketplace de NFTs Nifty Gateway, disse ter pedido um Franceschi de US$ 22 (cerca de R$ 111), da linha Rarities, na loja da Park Avenue South. A apresentação sofisticada —a bandeja, o limpador de paladar, o copo— não surtiu efeito porque, segundo ele, o resultado final foi decepcionante. "O sabor era exatamente igual ao do café feito em uma cafeteira Mr. Coffee." Mas Cock Foster afirmou que outras opções da WatchHouse estão acima da média. E disse não ser contra pagar mais de US$ 20 (pouco mais de R$ 100) por uma xícara que o surpreenda. "Se você realmente recebe um produto excepcional, acho que o preço pode ser justificado." Dados da Technomic, empresa de pesquisa e consultoria do setor de alimentação, mostram que, para muitas pessoas, uma extravagância ocasional com café não é tão absurda assim. "Embora um café de US$ 30 (cerca de R$ 150) possa estar fora de cogitação na maioria das situações, ocasiões especiais quase não têm limites quando o assunto é preço", afirmou Robert Byrne, diretor sênior de pesquisa de consumo da empresa. Segundo funcionários, pelo menos um cliente pediu um Bambito Estate no dia da inauguração da unidade de Midtown, na terça-feira. Assim como outros cafés da linha Rarities, provenientes de pequenos produtores da Colômbia e do Panamá, ele custa mais do que uma pizza grande de queijo porque a oferta dos grãos é extremamente limitada, o cultivo é caro e o preparo exige muita mão de obra, explicou Isaac V. Morales, gerente assistente da unidade. Os grãos da WatchHouse são particularmente "bem selecionados" de agricultores comprometidos em colher os frutos no ponto ideal de maturação, afirmou Morales. Compradores desse tipo de grão pagam caro pela rastreabilidade até cada fornecedor e fazenda, assim como vinicultores de alto padrão fazem com as uvas. Cada café da linha Rarities é preparado pelo método coado, com um barista despejando lentamente água quente sobre o pó em um filtro. Em vez de usar pressão para extrair a bebida, esse é um método delicado que reduz o amargor e realça sabores mais frutados, suaves e vívidos, explicou o barista Jay Park, 22. Um pedido leva de 7 a 10 minutos para ser preparado. A bebida deve ser saboreada em pequenos goles à medida que esfria, disse Park. A proposta é oferecer uma experiência especial, afirmou. "Estamos tentando criar algo que vá além de: ‘Só quero cafeína’."
Rede de luxo WatchHouse vende x�cara de caf� por R$ 163 nos EUA
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