O estrategista político americano Jason Miller, assessor de comunicação do presidente Donald Trump e aliado da família Bolsonaro, ajudou a organizar o avião particular que levou o senador Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos após sua derrota nas eleições presidenciais brasileiras. A participação do americano na operação foi revelada nesta quinta-feira (29) pelos jornais americanos The New York Times e The Wall Street Journal. Miller faz parte do círculo de confiança de Trump, participou de suas campanhas presidenciais e mantém uma relação antiga com os Bolsonaros. Ele retornou para a Casa Branca em agosto para assessorar a campanha dos republicanos para as eleições legislativas e ocupa atualmente uma função chamada "special government employee", categoria de funcionário federal geralmente vinculada a serviços temporários ou limitados. O estrategista também se envolveu na campanha presidencial de Flávio, a quem declarou apoio publicamente, e acompanhou de perto a disputa eleitoral brasileira. No domingo (25), dia do segundo turno, Miller dizia a aliados que Trump reconheceria o resultado da eleição ainda naquela noite caso Flávio saísse vencedor, mas que não havia discutido com o presidente americano a possibilidade de vitória de Lula (PT). Também no domingo, passou a criticar a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cristiano Zanin de ampliar o horário de votação. "O advogado da campanha de Lula, agora ministro do STF, literalmente seu advogado, decidiu que as urnas ficassem abertas por mais duas horas. Não dá pra inventar uma merda dessas", escreveu ele. Fez ainda diversas postagens nas redes sociais dizendo que a vitória de Lula era "matematicamente impossível", argumento que tem sido usado por bolsonaristas para dizer, sem apresentar nenhum indício, que as eleições brasileiras foram fraudadas. Miller acompanhou uma entrevista coletiva de Flávio a jornalistas em maio, após o encontro do senador com Trump na Casa Branca. Na ocasião, afirmou que não havia participado da reunião no Salão Oval, criticou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro era perseguido e declarou que o presidente americano estava "muito preocupado" com a situação política brasileira. Questionado sobre sua presença no evento, Miller afirmou: "Estou aqui para apoiar meus amigos. Eu apoio Flávio". Ao ser questionado por que Trump ainda não havia declarado apoio à candidatura do senador, o estrategista respondeu que o republicano confiava em Flávio, mas que a decisão caberia aos eleitores brasileiros. "O presidente Trump sabe que a população brasileira vai tomar a decisão correta e tem toda a confiança em Flávio. Mas cabe ao povo brasileiro tomar essa decisão. Sei que o presidente está muito preocupado com a segurança do processo eleitoral no Brasil", afirmou. Segundo o Wall Street Journal, o assessor integrou um pequeno grupo que, em contato com Eduardo Bolsonaro, providenciou um jato particular para transportar Flávio da Argentina até a Flórida. A operação começou a ser organizada na segunda-feira (26), após a determinação judicial para que o senador entregasse seus passaportes. O New York Times também atribuiu a Miller a organização da aeronave, citando uma pessoa familiarizada com a logística da viagem. Procurado pelo jornal, o americano se recusou a comentar. Em 2016, foi anunciado como futuro diretor de comunicação da Casa Branca, mas desistiu de assumir o cargo depois da divulgação de um relacionamento extraconjugal com uma integrante da equipe de campanha. Miller permaneceu próximo de Trump, apesar de não ter integrado seu primeiro governo. Voltou a desempenhar um papel de destaque na campanha de reeleição do republicano, em 2020. Naquele ano, segundo a publicação americana Axios, Miller era um dos responsáveis por apresentar a Trump resumos sobre os principais acontecimentos políticos e as mensagens que deveriam orientar a atuação da campanha. No mesmo ano, assumiu o comando da Gettr, rede social lançada como alternativa conservadora a plataformas como Twitter e Facebook, em meio às críticas de Trump e de seus apoiadores às políticas de moderação de conteúdo das empresas de tecnologia. Foi à frente da Gettr que Miller estreitou os laços com integrantes da família Bolsonaro. Em setembro de 2021, viajou a Brasília para participar da CPAC Brasil, conferência conservadora organizada por Eduardo Bolsonaro, e encontrou-se com o então presidente Jair Bolsonaro. A visita terminou com Miller sendo interrogado pela Polícia Federal no aeroporto de Brasília, antes de embarcar de volta aos Estados Unidos. O depoimento ocorreu no âmbito de uma investigação sobre atos antidemocráticos conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes. Segundo reportagem publicada pela Folha na época, Miller optou por permanecer em silêncio durante o interrogatório. O então assessor internacional da Presidência Filipe Martins chegou a ir ao aeroporto para acompanhar o episódio, assim como um diplomata da embaixada americana. Ambos foram liberados. Miller deixou o comando executivo da Gettr em 2023 para voltar a trabalhar na campanha presidencial de Trump. Após a vitória do republicano em 2024, passou a atuar no setor privado, inclusive como lobista. Sua empresa, a SHW Partners, firmou em 2025 um contrato de US$ 1,8 milhão com o governo da Índia para atuar nas relações com Washington. Durante a campanha brasileira, Miller publicou fotografias ao lado de Flávio e de Eduardo Bolsonaro. Em março, chamou o senador de "nosso próximo presidente". Em outra publicação, escreveu: "Bolsonaro 2026. Vamos lá!". Após a derrota eleitoral do senador, o estrategista voltou a se manifestar sobre a política brasileira. Na noite de domingo (25), compartilhou em inglês o discurso em que Flávio questionou o resultado da eleição e anunciou que pediria sua anulação. Três dias depois, o senador desembarcou em Miami com a mulher e as duas filhas, após atravessar a fronteira brasileira com a Argentina e embarcar em um avião particular que fez uma escala no Equador Ainda não está claro se ele atuou em caráter pessoal ou no exercício de suas funções no governo americano, nem quem pagou pelo fretamento da aeronave.
Quem � Jason Miller, conselheiro de Trump que ajudou Fl�vio Bolsonaro a deixar o Brasil
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