Quem � Isaac Herzog, presidente de Israel que agora precisa escolher entre Netanyahu e oposi��o

Quem � Isaac Herzog, presidente de Israel que agora precisa escolher entre Netanyahu e oposi��o

Em um país onde a política se transformou em pugilismo generalizado, Isaac Herzog, o presidente de temperamento manso agora incumbido de convencer os líderes partidários de Israel a baixar os punhos e formar um governo, remete a uma era mais amena. Embora ninguém o considere ingênuo —ele já foi tanto líder da oposição ao primeiro-ministro Binyamin Netanyahu quanto integrante de um governo de união sob seu comando—, o jeito sereno de Herzog parece destoar dos tempos atuais. A tradição de centro-esquerda da qual ele se origina, e que dominou Israel durante gerações, praticamente desapareceu de cena. Em seu lugar, proliferaram partidos majoritariamente linha-dura, do centro à extrema direita, liderados por figuras carismáticas conhecidas por manobras ousadas e ataques mordazes, seguindo o modelo do próprio Netanyahu. Após a eleição de 27 de outubro, na qual Netanyahu perdeu a maioria governista, mas superou as expectativas e impediu que seus adversários tivessem um caminho claro para destituí-lo, Herzog, de 66 anos, pediu diálogo. Ele ainda não informou se dará ao primeiro-ministro ou a seu rival, Gadi Eisenkot, a primeira oportunidade de formar um governo. "Espero que os representantes venham com a mente e o coração abertos, para ouvir e apresentar ideias e encontrar soluções criativas que evitem uma nova eleição", disse ele no domingo (1º). Três ex-assessores ouvidos pela Reuters disseram esperar que Herzog defenda a formação do governo mais amplo possível, para resgatar o país da turbulência política antes que seja tarde demais. "O presidente Herzog está profundamente preocupado com o fato de o país estar saindo dos trilhos e correr um risco real de se desintegrar por dentro", afirmou seu ex-assessor Eylon Levy. Herzog não respondeu a um pedido de comentário para esta reportagem. Especialistas políticos afirmam que a tarefa de convencer adversários ferrenhos a formar um governo ainda pode se mostrar impossível. "Essa responsabilidade cabe aos partidos eleitos e a seus líderes, e não tenho certeza de que nenhum dos lados tenha essa disposição", disse Yael Shomer, cientista política da Universidade de Tel Aviv. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Gideon Rahat, cientista político do Instituto Israelense de Democracia, afirmou que Herzog pode atuar em duas frentes: entregar o mandato a um dos dois principais candidatos e, nos bastidores, pressionar os partidos de Netanyahu e Eisenkot a deixar de lado suas divergências e formar um governo de união. Herzog é o primeiro presidente a ter nascido em Israel após a fundação do país, em 1948. Herdeiro de uma família política de grande tradição —seu falecido pai, Chaim Herzog, também exerceu a Presidência durante uma década—, ele é conhecido por um apelido brincalhão de infância, Buji, que, segundo relatos, lhe foi dado pela mãe como um trocadilho de inspiração francesa com a palavra hebraica para boneca. Oficial de inteligência das Forças Armadas de Israel e advogado por formação, Herzog foi eleito pela primeira vez para o Parlamento em 2003 e ocupou vários cargos no governo antes de se tornar líder do Partido Trabalhista, em 2013. Como líder da oposição, foi derrotado com ampla margem por Netanyahu na eleição de 2015. Ele foi alçado à Presidência pelo Knesset em 2021, dias antes de uma coalizão heterogênea finalmente conseguir tirar Netanyahu do poder pela primeira vez em 12 anos, após uma sucessão de eleições inconclusivas. Mas, apenas 18 meses depois, teve de presidir o retorno de Netanyahu à frente de um governo que incluía, pela primeira vez, a extrema direita. Pouco depois, Netanyahu lançou uma iniciativa para restringir os poderes da Suprema Corte de Israel, o que provocou protestos em massa. Herzog interveio para sediar negociações em busca de um acordo entre Netanyahu e a oposição. Alguns meses mais tarde, o Hamas lançou seu ataque de 7 de outubro contra Israel, mergulhando o Oriente Médio em turbulência enquanto Israel entrava em guerra em Gaza, no Líbano e no Irã. Ao longo do último ano, Herzog enfrentou pressão pública do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para conceder perdão a Netanyahu pelas acusações de corrupção que se arrastam há anos. Até agora, Herzog resistiu, mas alguns especialistas políticos acreditam que ele ainda possa desempenhar um papel ao oferecer alguma forma de solução para o processo criminal contra Netanyahu como parte de um acordo para a formação de um governo de união. "Suspeito que haverá um acordo sobre a mesa. Que tipo de acordo será e se ele será aceito por algum dos lados — isso já é outra história", disse Shomer.

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