Indicado pelo governo de Donald Trump para assumir a embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Daniel Perez já passou pela sabatina na Comissão de Relações Exteriores do Senado, na qual abordou o processo eleitoral brasileiro. Agora, ele precisa ser aprovado pelo plenário. Enquanto isso, Perez está no centro da mais recente crise entre os governos Trump e Lula, desencadeada pela revogação do visto da embaixadora brasileira Maria Luiza Viotti, uma retaliação à demora de Brasília em conceder o chamado agrément (aval) para a sua indicação. Durante a sabatina no Senado, que aconteceu no dia 16 de julho, Perez afirmou que, se confirmado, defenderá eleições livres e justas no Brasil e que cobrará garantias de respeito à liberdade de expressão. "Defenderei condições que permitam eleições livres e justas e a liberdade de expressão, pois um Brasil estável e democrático é um parceiro melhor para os EUA", disse ele. Após a audiência, Perez concedeu uma rápida entrevista a jornalistas e foi questionado por que havia enfatizado a necessidade de defender esse tema. O indicado respondeu que considera as eleições um dos pilares da democracia tanto brasileira quanto americana. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Perez foi aprovado pela comissão por 13 votos favoráveis e 8 contrários. Entre os senadores que apoiaram a sua indicação estão dois democratas: Tim Kaine, integrante da Subcomissão para o Hemisfério Ocidental, e Jeanne Shaheen, vice-líder da Comissão de Relações Exteriores. Agora, o nome ainda precisa ser aprovado pelo plenário do Senado. Sua indicação integra um pacote com outros 74 nomes que serão votados pela Casa. Segundo apurou a Folha, a confirmação de Perez pode ocorrer nesta quinta-feira (6). Depois, deverá passar pelo treinamento do Departamento de Estado, que inclui aulas de português e um curso de introdução sobre a história, a política, a economia e a sociedade brasileiras. Mesmo que seja aprovado pelo Senado, Perez ainda dependerá do agrément —o aval formal do governo Lula— para assumir o posto em Brasília. A demora do governo brasileiro em conceder esse sinal tornou-se o principal foco da crise diplomática entre os países. Em resposta, o governo Trump revogou o visto de Maria Luiza Viotti, a embaixadora do Brasil em Washington, e sinalizou que poderá reverter a medida caso Perez seja confirmado e receba o agrément brasileiro. Cubano-americano de primeira geração, Perez nasceu em Nova York e se mudou com a família para a Flórida em 1993. Foi eleito pela primeira vez para a Assembleia Legislativa do estado em 2017. Em sua biografia oficial, não há registro de experiência anterior em cargos ligados à política externa. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, também é da Flórida e filho de imigrantes cubanos. Como mostrou a Folha, a indicação de Perez foi bem recebida por parte do empresariado brasileiro instalado no estado. A avaliação desse grupo é influenciada pelo peso das relações comerciais entre Brasil e Flórida. O Brasil é atualmente o maior parceiro comercial internacional do estado, respondendo por 6,2% de todo o comércio de mercadorias da Flórida. Para esses empresários, que preferiram não se identificar, Perez construiu, durante seus dois mandatos na Assembleia Legislativa, uma imagem de parlamentar favorável ao comércio. Na avaliação deles, o indicado compreende a importância econômica da relação entre Brasil e EUA justamente em um momento de tensão entre os governos Lula e Trump.
Quem � Daniel Perez, indicado para embaixada dos EUA que est� no centro de crise com governo Lula
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