Na última terça-feira (25), alguns alunos da UFRJ se comportaram como uma turba em caça às bruxas, ao espancarem um colega que foi considerado nazista. O estudante agredido vestia camiseta da banda neofolk britânica Death in June, ilustrada com uma caveira estilizada inspirada no Totenkopf, símbolo associado à SS, e usava um broche com a suástica riscada por uma faixa vermelha, semelhante a placas que indicam alguma proibição. Como mostram os vídeos, desde o início da abordagem, o aluno tenta explicar o que é a Death in June —banda que usa iconografia nazista de modo deliberadamente ambíguo, com referências políticas contraditórias— e mostra repetidas vezes o broche claramente antinazista. Mesmo assim, o jovem foi retirado da sala de aula e, no trajeto, aparece recebendo socos e chutes, o que, no limite, poderia levar à morte. Barbárie inaceitável, ainda que o aluno fosse nazista. O tribunal das redes sociais, com celeridade, o julgou e condenou —na caça às bruxas, a mera suspeita torna-se culpa. Inúmeros comentários justificaram a violência a partir da ideia de que é moralmente aceitável espancar fascistas porque eles representam um risco à democracia. Colunas Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha Esse raciocínio —que é similar ao "bandido bom é bandido morto" de parte da direita— aparece recorrentemente em casos de censura, quando alguns setores da esquerda se valem de uma distorção do paradoxo da tolerância desenvolvido por Karl Popper. Segundo ele, uma sociedade que tolera sem limites as filosofias intolerantes pode acabar permitindo sua ruína. Mas Popper afirma expressamente que, enquanto for possível enfrentá-las "com argumentos racionais e mantê-las em xeque pela opinião pública", suprimi-las seria imprudente. Ademais, a força aparece apenas como recurso extremo contra quem rejeita esse terreno e passa a responder com intimidação, "punhos ou pistolas". Na UFRJ, o que mais se aproxima desse limite não é vestir uma camiseta ambígua e tentar explicá-la, mas substituir debate por violência física. Quem, então, age como fascista nessa história? LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Quem age como fascista na UFRJ?
Full Article
Original Source
Read the full article at Www1 →KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.