Em abril de 2019, quando estava preso sob acusação de corrupção, o presidente Lula (PT) disse ter sido aconselhado a deixar o Brasil, mas decidiu ficar no país. Ele também criticou políticos brasileiros, a exemplo do então mandatário Jair Bolsonaro (PL), que tinham postura subserviente aos Estados Unidos e queriam "entregar o Brasil aos americanos". O petista foi reeleito para o quarto mandato no domingo (25). "Muita gente achava que eu deveria sair do Brasil, ir para uma embaixada, que eu deveria fugir. E eu tomei como decisão que o meu lugar é aqui [no Brasil]", disse Lula na época à Folha e ao jornal El País. Na entrevista, Lula falou em "lacaios brasileiros achando que os americanos vão fazer alguma coisa por nós", fazendo oposição ao segmento político próximo ao governo estadunidense e atualmente representado por Flávio Bolsonaro (PL). Depois de perder a eleição presidencial e considerar pedir a anulação do pleito, o senador fugiu do Brasil, foi para Miami, nos Estados Unidos, e teve carta divulgada por aliados na qual era apontado como presidente eleito do Brasil. Depois, a carta golpista foi modificada, e a autodeclaração de "presidente" foi mudada para "líder do Brasil". Um dia antes, Flávio Bolsonaro tinha afirmado que nunca tinha pensado em deixar o país. Eduardo Bolsonaro, porém, defendeu publicamente, na sexta-feira (23), que o senador deixasse o Brasil caso perdesse as eleições. O irmão do senador está nos EUA desde fevereiro de 2025, onde articula, junto a aliados como Paulo Figueiredo, sanções contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e tarifas a produtos brasileiros. Em 2021, o Supremo anulou as condenações de Lula na Lava Jato, depois de declarar a incompetência da 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba para julgar os casos. A corte também considerou que o então juiz Sergio Moro, recém-eleito governador do Paraná, teve conduta parcial na ação penal que levou o ex-presidente à prisão. Na época da entrevista, Lula afirmou reiteradas vezes que permaneceria à disposição das autoridades para provar sua inocência. Já preso, ele disse à Folha que ao sair da prisão estaria "com o pé na estrada" para, junto aos brasileiros, "levantar a cabeça e não deixar entregar o Brasil aos americanos. Para acabar com esse complexo de vira-lata". E disse que "nunca vi um presidente bater continência para a bandeira americana [como fez Jair Bolsonaro]. Eu nunca vi um presidente ficar dizendo ‘eu amo os EUA, eu amo’. Ama a sua mãe, ama o seu país! Que ama os Estados Unidos! Alguém acha que os Estados Unidos vão favorecer o Brasil?" Na íntegra da entrevista, termos como "Brasil e "povo brasileiro" aparecem mais de sessenta vezes. "Americano pensa em americano em primeiro lugar, pensa em americano em segundo lugar, pensa em americano em terceiro lugar, pensa em americano em quinto e se sobrar tempo pensa em americano", disse Lula. Ele finalizou dizendo que "ficam os lacaios brasileiros achando que os americanos vão fazer alguma coisa por nós. Quem tem que fazer por nós somos nós. A solução dos problemas do Brasil está dentro do Brasil", disse Lula na época.
Quando preso, Lula disse ter sido aconselhado, mas negou deixar pa�s em meio a investiga��es
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