Casacos impermeáveis e paletós. Bandeiras nacionais. Alguns enfeites de Natal. E 36 tipos diferentes de compensado. As listas com centenas de produtos canadenses sujeitos às novas tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos são extensas e parecem organizadas ao acaso. O governo Trump impôs as tarifas, que entraram em vigor no sábado (22), depois que o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, encerrou as negociações comerciais com os Estados Unidos, que haviam durado quase um mês. "Eles pediram demais e ofereceram de menos", disse Carney. Carney prometeu retaliar "dólar por dólar" contra as novas tarifas, que se somam às alíquotas anteriores de até 50% impostas no ano passado pelo presidente Donald Trump ao alumínio, ao aço e aos automóveis canadenses. A madeira serrada já estava sujeita a tarifas anteriores ao retorno de Trump ao poder; ainda assim, ele as elevou no ano passado. Veja a seguir alguns dos produtos sujeitos às novas tarifas. Principais exportações Para as empresas canadenses que dependem dos negócios com os Estados Unidos, as novas tarifas provavelmente serão motivo de grande ansiedade. Para os despachantes aduaneiros e advogados especializados em comércio exterior que orientam essas empresas, elas representam uma oportunidade de negócios extraordinária. Mas, para o leitor comum, as tarifas às vezes são desconcertantes. Segundo o governo Trump, os itens afetados abrangem US$ 20 bilhões (R$ 103 bilhões) em exportações canadenses. Eles estão distribuídos em três listas. Alguns padrões claros emergem do texto. O setor florestal do Canadá, envolvido há décadas em uma disputa aparentemente interminável com os Estados Unidos, foi particularmente visado. Entre os muitos produtos de madeira presentes nas listas, há nada menos que 36 tipos diferentes de compensado. Construtoras residenciais dos Estados Unidos já afirmaram que a produção americana não é suficiente para substituir o compensado canadense, de modo que as tarifas podem elevar os custos da construção de moradias. As bebidas alcoólicas também ocupam lugar de destaque. O governo Trump tem demonstrado especial irritação com o fato de que oito das dez províncias do Canadá ainda restringem a entrada de vinhos e destilados americanos em seus sistemas e lojas estatais de distribuição de bebidas. Essas medidas começaram depois que Trump sugeriu transformar o Canadá no 51º estado americano e impôs tarifas em violação ao acordo de livre comércio entre os dois países e o México. Algumas das bebidas que agora, na prática, ficam excluídas do mercado americano pelas tarifas parecem ter pouco apelo evidente, incluindo "misturas de substâncias odoríferas ou à base delas, com teor alcoólico de 20% a 50% em peso, que exijam apenas a adição de álcool etílico ou água para se tornarem uma bebida". Não se explica por que alguém acrescentaria mais álcool a algo que já é composto pela metade dessa substância intoxicante.Os laticínios são outro alvo. O Canadá utiliza cotas de produção e outros instrumentos para proteger os produtores de leite nacionais, que vendem majoritariamente para o mercado canadense, o que pode limitar o impacto das novas tarifas americanas. Roupas e produtos têxteis também são atingidos. Assim como ocorreu nos Estados Unidos, grande parte da produção de vestuário do Canadá foi transferida para outros países há muito tempo, e alguns varejistas canadenses que atuam pela internet vendem a clientes americanos produtos fabricados no exterior. Isso, porém, não lhes dará uma saída. O simples fato de enviar mercadorias a partir do Canadá aciona as tarifas, independentemente de onde os produtos tenham sido fabricados. E alguns itens estranhamente específicos Poucas peças de roupa escaparam das tarifas. Entre os itens taxados estão sobretudos, anoraques, corta-ventos, coletes, suéteres de algodão, camisetas, casacos para dirigir, capas, mantos, agasalhos esportivos, paletós, blazers e vestidos. Luvas de cinco dedos, mitenes e luvas sem dedos estão na lista, a menos que sejam destinadas à prática esportiva. Também estão incluídos bandeiras nacionais, lonas usadas para pintar cenários de palco, encerados, toldos e persianas externas. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Nem todos os itens da lista são produzidos por grandes empresas. Vários produtos, como joias e mel, vêm de pequenos negócios, alguns deles operados por uma única pessoa. As descrições dos itens vão do genérico ao quase peculiarmente específico. Entre estas últimas está a de móveis de madeira "do tipo usado em quartos e não projetado para uso em veículos automotores". A lista de tarifas tem certo viés estraga-prazeres ao incluir "artigos para festividades natalinas, enfeites, que não sejam de vidro ou madeira"; brinquedos, inclusive os de montar, mas não bicicletas; varas de pesca; tacos de hóquei; patins; e "artigos para festas, carnaval ou outras formas de entretenimento". Donos de cães verão aumentos semelhantes nos preços de guias, coleiras, focinheiras e peitorais. Muitos produtos —incluindo câmeras de televisão para estúdio e smartphones— aparentemente nem sequer são fabricados no Canadá. Acima de tudo, a lista revela facetas intrigantes e pouco conhecidas da indústria canadense, incluindo empresas que produzem ou vendem máquinas de encadernação, equipamentos para classificação de ovos, boias marítimas, guindastes de torre, equipamentos de jateamento de areia e vapor, alambiques ("não destinados ao uso doméstico"), cofres e "estatuetas de metais comuns". E há talvez a melhor de todas as exportações do Canadá para os Estados Unidos: "perucas parciais, barbas e sobrancelhas postiças e artigos semelhantes, de materiais têxteis sintéticos".
Quais produtos canadenses ser�o atingidos pelas tarifas de 50% de Trump? Alguns itens s�o estranhos
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