Psicopata seduz mentes em s�rie que rev� obsess�o por tramas de crimes hediondos

Psicopata seduz mentes em s�rie que rev� obsess�o por tramas de crimes hediondos

Anos após um crime terrível traumatizar uma cidade, uma criança desaparecida ressurge e põe em xeque o que os habitantes sabiam sobre Jurek Walter. O psicopata está preso há mais de uma década, mas o seu poder vai além das grades e força o detetive Jonah Lynn, vivido por Liev Schreiber, a reabrir o caso. O protagonista de "Noturno" —série que estreou no Apple TV nesta sexta— une forças com sua aprendiz, a agente do FBI Saga Bauer, interpretada por Zazie Beetz. Ela se infiltra no manicômio em que Jurek está internado enquanto Jonah decifra a população local. "Ele viu coisas que um ser humano não deveria ver", diz Schreiber sobre o investigador de homicídios que estrela diversos livros de Lars Kepler, pseudônimo do casal sueco Alexander Ahndoril e Alexandra Coelho Ahndoril. "A exposição à morte e à violência faz dele uma figura ideal para lidar com esses traumas." Essa adaptação se debruça especificamente sobre "O Homem de Areia" e "Lázaro", romances policiais que dissecam o confronto entre Jonah e Jurek. Na pele de Stephen Graham —que em 2025 conquistou a crítica com seu roteiro e papel na minissérie "Adolescência"— o antagonista se adapta à mente de cada vítima como um camaleão. Na sequência inicial, por exemplo, leva o paciente da cela ao lado a esmurrar a cabeça contra a parede, até morrer, com alguns sussurros. "O homem não nasce mal. Ele é um produto da sociedade e do ambiente em que vive", afirma Graham, que frequentou programas de reabilitação para detentos e maratonou títulos de true crime para dar vida ao personagem. Ele diz entender as ações de Jurek, embora deixe claro, mais de uma vez, não as defender. "Um dos homens que conheci simplesmente não recebeu amor, ou qualquer tipo de segurança emocional. São coisas imperativas para uma criança. Quer dizer, são imperativas até hoje. Aos 53 anos, ainda busco os abraços do meu pai, a aprovação dele. É simplesmente inerente à nossa natureza", acrescenta. Para o showrunner John Havlin, a universalidade de crimes hediondos e a obsessão do público pelos extremos da natureza humana justificam o sucesso dessas narrativas. "São situações de fácil identificação, seja no papel da vítima, seja no de herói. Fico pensando —se fosse comigo, gostaria que os responsáveis fizessem tudo ao seu alcance para ajudar quem amo. É o tipo de narrativa que sempre existiu e que vai muito além das produções americanas." Em "Noturno", enquanto o protagonista rastreia uma menina que desapareceu há anos —e que pode ajudar a pôr fim aos traumas causados por Jurek— e vê Saga, a agente do FBI, se disfarçar de paciente psiquiátrica, o psicopata se aproxima de Karl, um enfermeiro. No processo, os dois desenvolvem uma relação complicada, que oscila entre a aprovação paterna e o elo entre um predador e sua presa. O interessante é que, em boa parte dessas cenas, esse relacionamento complexo se dá por uma pequena janela. "Eu pensava em Jurek todas as noites", diz Rory Culkin, ator do funcionário ingênuo. "No set, era como se estivesse cuidando de um tigre que diz estar fascinado por mim. Isso faz com que Karl se sinta especial, já que ninguém o vê assim. Ele pode até saber que está sendo manipulado, mas talvez possa trocar essa noção pelos novos sentimentos em sua vida."

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