Os protestos contra o custo de vida realizados na França se espalham também em manifestações de menor escala, mas com o mesmo mote, em outros países da Europa, como Portugal, Itália, Bélgica e Albânia. Até a tarde deste sábado (17), as autoridades francesas registraram 140 atos fora de Paris, em cidades como Marselha, Lille e Lyon, em meio à insatisfação com a alta dos preços, a desigualdade, os cortes de gastos públicos e as condições de serviços como educação. Mais de 800 mil pessoas teriam participado dos protestos, disse um ministro francês à agência AFP. Segundo o Ministério do Interior, 400 pessoas foram detidas em todo o país. O governo do presidente Emmanuel Macron atribui a onda ao que chama de ultraesquerda, e a polícia usou gás lacrimogêneo em confronto com os manifestantes. Assim como os franceses, manifestantes italianos foram dispersos pela polícia com gás lacrimogêneo durante uma marcha nos arredores da catedral gótica de Milão. Euro Radar Uma newsletter sobre geopolítica e economia global, editada pelo jornalista João Caminoto, de Paris Segundo a corporação, parte dos participantes iniciou um confronto e atirava pedras e outros objetos, levando lojas a abaixarem as portas, turistas a fugirem do local e ao fechamento de uma estação de metrô. No norte da Itália, em Bolonha, a polícia tentou dispersar multidões com canhões d'água, e sete pessoas foram presas depois que uma manifestação se tornou mais violenta. O mesmo método foi utilizado em Bruxelas, capital da Bélgica, contra estudantes que entoavam palavras de ordem antifascistas e protestavam contra o aumento dos custos da educação e reformas que, segundo eles, tornarão o ensino superior menos acessível. Também houve atos estudantis em Liège. Em Portugal, onde os preços dos imóveis dobraram desde 2017 e provocaram uma crise habitacional, pessoas foram às ruas de Lisboa em ato contra os custos de moradia e demais despesas. A polícia não divulgou estimativa de público, enquanto a CGTP, maior central sindical e organizadora da manifestação, falou em "dezenas de milhares" de participantes. "Sou a primeira pessoa da minha família a ingressar em um programa de doutorado e, mesmo com tudo o que estudei, ainda não consigo me sustentar. Neste momento, a moradia em Lisboa é o problema", disse a bióloga e pesquisadora Carolina Cruz, 26, à agência de notícias Reuters. Carolina conta que recebe cerca de € 1.300 (cerca de R$ 7,4 mil) por mês, mas pode ter que sair do apartamento em que vive com o companheiro na capital portuguesa —eles pagam € 716 (R$ 4 mil) de aluguel, mas a renovação do contrato pode elevar o valor para € 1.200 (R$ 6,9 mil). Carlos Abreu Amorim, ministro dos Assuntos Parlamentares, disse na sexta-feira (16) que o "governo não cederá aos gritos vindos das ruas" e que medidas para responder às preocupações já estavam sendo implementadas. O posicionamento português diante dos protestos é semelhante ao francês. Neste sábado, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmou que a França não se deixará "intimidar" pela violência. "Àqueles que claramente querem usar essa violência como um ‘aquecimento’ antes da eleição presidencial, digo com toda clareza: não nos deixaremos intimidar. Ninguém imporá sua agenda política por meio da violência", escreveu Lecornu em publicação no X. Na Albânia, alunos que pedem a renúncia do primeiro-ministro Edi Rama, que exerce seu quarto mandato, foram atingidos por projéteis de borracha disparados com espingardas pela polícia. Os protestos albaneses são motivados pela percepção de corrupção no governo, pela falta de empregos e pela baixa qualidade da educação. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Os atos na nação foram apoiados por participantes de atos realizados contra um empreendimento de luxo no litoral que envolvia Jared Kushner, genro de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Segundo o chefe da polícia, 1.067 foram presas e 388, processadas criminalmente no país.
Protestos contra custo de vida se espalham na Europa ap�s manifesta��es na Fran�a
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