A decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cristiano Zanin de prorrogar por duas horas a votação em todo o país, emitida pouco após as 17h, causou confusão entre mesários e presidentes de seção. Segundo mesários ouvidos pela Folha, urnas já haviam sido encerradas e contabilizadas, com a impressão de boletins de urna. Alguns dispositivos já chegaram a ser enviados de volta ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do estado. A prorrogação do horário é inédita no país. Na página de resultados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) já há urnas apuradas e totalizadas pelo país. Em âmbito nacional, há 0,25% dos votos contabilizados. Há estados como Amazonas com 1% das urnas apuradas, Rondônia com 0,53% e Rio Grande do Sul, com 0,01% dos votos contados. A Folha procurou o TSE neste domingo (25) para entender como os ausentes até às 17h comparecerão, já que, após o fechamento das urnas, não há como inserir novos votos. Até as 17h50, a corte eleitoral afirmou não ter detalhes, e aguarda a íntegra da decisão para posicionamento. Um mesário de seção em Santana, na zona norte de São Paulo, afirma que algumas urnas da zona eleitoral onde trabalha já foram apuradas, com impressão do boletim de urna e da quantidade de votos para cada candidato. Ele afirma que todos os mesários foram dispensados, já que não é possível reabrir a votação com as mesmas urnas. Outra, que trabalhou nas eleições no Jabaquara, na zona sul da capital paulista, aponta que alguns dispositivos de votação já foram enviados de volta ao TRE paulista, após apurados e com boletim de urna impresso. Ela afirmou que mesmo com a decisão veiculada pela imprensa, a ordem foi continuar entregando as urnas. Uma mesária conta que por volta das 17h40 ela e outros colegas de função, que orientam eleitores numa zona eleitoral em Pinheiros (zona oeste paulistana), não sabiam o que fazer. Não haviam recebido qualquer diretriz clara sobre como agir após a prorrogação da votação. Já haviam fechado as urnas naquela zona e esperavam para entregar à Justiça Eleitoral os votos depositados eletronicamente, diz. A notícia sobre a extensão do pleito chegou cerca de dois minutos após o fim inicialmente previsto, às 17h. "Quando todo mundo encerrou, alguém gritou, ‘ei, estenderam’. A galera tá aqui sem saber o que fazer." A ordem é para que nenhum mesário vá embora. "Estamos todos os mesários retidos aguardando orientação do TRE." Quando eram 17h40, os mesários foram liberados para voltar para casa. A Escola Municipal Albert Schweitzer, em Laranjeiras, na zona sul do Rio de Janeiro, permanece com as portas abertas, mas as seções já haviam encerrado a votação antes da divulgação da decisão de Zanin. Mesários afirmam não ter como o eleitor votar nesta situação. Em outra, no Prédio dos Correios, no centro da capital fluminense, as urnas foram fechadas. Um presidente da seção disse que o aviso chegou após às 17h. No entanto, o prédio continua aberto. As seções de votação foram parcialmente reabertas em uma escola na Asa Norte, região de Brasília. Mas, uma vez que as urnas são fechadas, o sistema impede que voltem a ser utilizadas. Parte dos presidentes da seção e dos mesários já tinham saído do local, antes da prorrogação de horário. Assim, os eleitores que chegarem ao local dentro do prazo estendido ainda assim não poderão votar. Em mensagens no grupo da zona eleitoral, há relatos de que a presidência do TRE-DF já havia reforçado o encerramento das urnas. A decisão de Zanin não foi cumprida em ao menos doze escolas do Distrito Federal. A reportagem visitou duas sessões eleitorais e colheu relatos de diversas outras sobre o que aconteceu após esse horário. Em todos os casos, a orientação de manutenção da votação foi comunicada às equipes que trabalhavam na sessão quando as urnas já estavam lacradas, o que impede que elas fossem reabertas. A reportagem testemunhou uma eleitora que chegou ao CEUB da Asa Norte, em Brasília, após as 17h, mas não conseguiu votar. Ela foi informada que as urnas já estavam lacradas e orientada a procurar a Justiça Eleitoral. Em outro colégio, na Asa Norte, as urnas estavam inclusive já sendo transportadas para o Tribunal Regional Eleitoral do DF. Além disso, o TRE do DF disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que não houve tempo hábil para cumprir da decisão de Zanin
Prorroga��o da vota��o causa confus�o com urnas fechadas e se��es j� apuradas pelo pa�s
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