Proposta de Fachin contra conflito de interesses prev� regras sobre eventos, presentes e familiares

Proposta de Fachin contra conflito de interesses prev� regras sobre eventos, presentes e familiares

A proposta do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, para prevenir conflitos de interesse na magistratura inclui regras para participação em eventos, recebimento de presentes e atividades privadas, além de um mapeamento dos vínculos familiares que possam comprometer a imparcialidade dos juízes. A Folha teve acesso à minuta da resolução que será votada nesta terça-feira (4) pelo plenário do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) —um novo capítulo da investida de Fachin por uma agenda ética para o Judiciário. O texto tem como base sugestões feitas pelo Onit (Observatório Nacional de Integridade e Transparência do Poder Judiciário). O ministro orienta os tribunais a adotar, em até seis meses, mecanismos para identificar cenários de conflito mesmo que ainda não sejam concretos, mas "potenciais" ou "aparentes". Uma das sugestões é a criação de uma plataforma para que magistrados declarem "interesses relevantes" e de um canal confidencial de aconselhamento ético. O primeiro item da lista de "situações de atenção especial" é a participação em eventos, congressos e atividades acadêmicas custeadas ou patrocinadas por empresas privadas. Fachin defende, por exemplo, medidas para identificar se o financiador tem processos perante o tribunal em que o juiz atua. O tribunal deverá formular seu diagnóstico levando em conta a extensão e a razoabilidade das despesas que serão custeadas, a atividade econômica do patrocinador do evento e o "eventual risco de comprometimento da independência ou da aparência objetiva de imparcialidade". FolhaJus A newsletter sobre o mundo jurídico exclusiva para assinantes da Folha O recebimento de presentes, hospitalidades, cortesias, benefícios e vantagens também estará sujeito, pela proposta de Fachin, ao escrutínio dos tribunais, que "deverão examinar, de forma objetiva, em cada caso, os critérios para aceitação", observando os princípios da impessoalidade e da prudência. Fachin também propõe aos tribunais uma espécie de levantamento das atividades externas dos juízes (acadêmicas, culturais, científicas, empresariais ou profissionais), das suas relações econômicas e societárias e das suas participações em associações, fundações, entidades ou organizações. O foco também deve se voltar, de acordo com o presidente do STF, aos "vínculos familiares ou profissionais suscetíveis de produzir conflito de interesses" e às "relações com fornecedores, prestadores de serviços, grandes litigantes ou agentes econômicos" que possam ter processos em tramitação. A proposta de resolução orienta os tribunais a criar uma unidade responsável pela implementação das medidas preventivas, preferencialmente integrada às estruturas de governança que já existem, para evitar duplicação de órgãos e aumento desnecessário de despesas. Se aprovadas pelo plenário do CNJ, as novas regras valem para todos os tribunais brasileiros, incluindo os superiores, com exceção do Supremo, que não é subordinado ao conselho. No centro de uma divergência interna do tribunal, o código de ética específico para o STF está sob responsabilidade da ministra Cármen Lúcia, que deve entregar uma primeira versão do texto após as eleições.

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