Promotoria denuncia 4 sob acusa��o de planejar atentados do PCC contra Gakiya e coordenador de pres�dios

Promotoria denuncia 4 sob acusa��o de planejar atentados do PCC contra Gakiya e coordenador de pres�dios

O Ministério Público de São Paulo apresentou denúncia contra quatro suspeitos sob acusação de monitorar autoridades públicas e dar apoio a planos da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) para cometer assassinatos. A facção tinha como alvo, segundo a investigação, o promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), e o coordenador Roberto Medina, responsável por unidades prisionais da região oeste do estado. Ambos são alvo de ordens de assassinato —no jargão criminoso, estão "decretados"— há mais de dez anos pela organização criminosa. Os planos de atentado foram descobertos após a prisão de dois homens em flagrante por tráfico de drogas. A partir da quebra de sigilo de celulares dos investigados, a polícia encontrou indícios de que a facção monitorava a rotina do promotor e do coordenador. Foram denunciados Victor Hugo da Silva (conhecido como VH), Wellison Rodrigo Bispo de Almeida (o Corinthinha), Sérgio Garcia da Silva (o Messi) e Adilson Audinir Oliveira Júnior (o Ju Machado). Os quatro foram denunciados sob acusação de organização criminosa. VH e Ju Machado respondem em liberdade, e os outros dois estão presos na Penitenciária de Avaré I, no interior paulista. O advogado Maycon Ferreira da Silva, que já defendeu Victor Hugo no caso, ressaltou que nem todos os acusados reconheceram a propriedade dos celulares apreendidos. Ele afirmou que as provas não são contundentes para todos os denunciados, e ressaltou que outro de seus clientes chegou a ser investigado mas não foi denunciado. Um advogado que defendeu Wellison num caso de suspeita de tráfico de drogas não quis comentar o caso, por não ter acompanhando o processo que embasou a denúncia. A reportagem não identificou as defesas de Sérgio Silva e Adilson Júnior. Segundo a denúncia, assinada por seis promotores de Justiça, há "um incremento na atuação da facção em detrimento dos agentes públicos, gerando risco iminente a suas vidas". Eles listam nove processos instaurados no Tribunal de Justiça de São Paulo desde 2019 que mencionam ameaças contra autoridades públicas, informações sobre geolocalização de pessoas monitoradas e ordens de assassinato. A Promotoria pediu a prisão preventiva de todos os denunciados, além da inclusão deles no regime disciplinar diferenciado (RDD), que prevê isolamento de outros presos, restrição de visitas e banho de sol de apenas duas horas por dia. A investigação começou a partir da prisão em flagrante de VH, em julho do ano passado. Dados de geolocalização do aparelho apontaram que VH esteve pessoalmente em Presidente Venceslau, nas imediações da penitenciária e do Poupatempo, locais de trabalho de Medina e sua esposa. VH teria feito o levantamento completo da rotina deles, incluindo trajetos usuais entre o trabalho e a residência e modelos e placa de carros, tirado fotos e gravado vídeos da rotina do casal, segundo a acusação. Conforme os promotores, as informações eram repassadas pelos suspeitos "para a 'Sintonia Restrita', setor da organização criminosa responsável pelo comando, coordenação e execução de ações de maior relevância estratégica do grupo, que efetivaria o atentado contra a vida das vítimas". Os promotores afirmam que há provas de que VH é integrante do PCC, uma vez que foram encontradas conversas em seu celular em que ele trata de questões disciplinares da facção, recebendo informações sobre a conduta de membros, cobrança de dívidas e coordenação da venda de drogas. As informações levantadas em campo por VH eram supostamente repassadas a Welisson Almeida, o Corinthinha. A denúncia destaca que Corinthinha se estabeleceu na cidade de Presidente Bernardes, numa chácara que era próxima à rota que Medina fazia rotineiramente para chegar ao trabalho. Ele foi preso em flagrante após quatro tijolos de maconha serem encontrados numa caminhonete que estava na propriedade. A análise em seu celular mostrou que ele gravou as informações enviadas por VH em um arquivo. Os promotores afirmam que Corinthinha era o responsável por enviar as mensagens à "Sintonia Restrita", que executaria os atentados. Em celulares dele, também foram encontradas pesquisas sobre Medina e sua família em redes sociais. Sérgio Garcia da Silva, o Messi, seria o responsável por monitorar a rotina do promotor Lincoln Gakiya, segundo a denúncia. Ele também foi preso em flagrante sob suspeita de tráfico de drogas, em setembro. Num dos celulares achados com ele, a polícia encontrou imagens de mapas com a localização da sede do Ministério Público em Presidente Prudente, onde o promotor trabalha, e que ele foi a endereços próximos ao trajeto diário de Gakiya. Adilson Audinir Oliveira Júnior, o Ju Machado, é considerado pela acusação um colaborador direto de Messi. Ele aparece nas mensagens interceptadas pela investigação "em tratativas sensíveis vinculadas à organização criminosa, com participação na comunicação reservada, ciência do risco decorrente do vazamento de informações, solicitação de exclusão de diálogos e auxílio à ocultação ou destruição de vestígios digitais". Os promotores consideram que há evidências suficientes para afirmar que ele é integrante do PCC e que auxiliou na troca de informações da facção.

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