A cozinha do projeto Quebrada Alimentada fica na entrada da ocupação Viva Jardim Julieta, na região norte da cidade. Há um ano, é onde centenas de famílias buscam o almoço de segunda a sexta-feira. Mas, antes disso, o embrião do projeto nasceu em um elogiado endereço gastronômico da cidade: o Mocotó. Desde o início da pandemia, em 2020, o restaurante preparava marmitas e entregava a pessoas que se enfileiravam na entrada da casa, na Vila Medeiros. Com a chegada da Covid, o bairro vivia sob a incerteza alimentar —como outras periferias do Brasil. O casal à frente da iniciativa, Adriana Salay, 41, professora do departamento de história da USP, e o chef Rodrigo Oliveira, 46, do Mocotó, logo teve ajuda da associação do local. Eles mapearam quem precisava das refeições e apresentaram o restaurante como ponto de alimentação. Na mesma época, a ocupação do Jardim Julieta, que hoje abriga cerca de mil famílias, começou a se formar com a chegada de uma população que perdeu emprego e foi despejada durante a pandemia. Primeiro, moradores do assentamento iam buscar as quentinhas no Mocotó. Depois, veio a ideia de montar uma cozinha em parceria. Em março de 2025, a estrutura ficou pronta. Tem cozinha, despensa e área de entrega de doações. Com ajuda do padre Júlio Lancellotti, dois banheiros foram erguidos. "Quem pega marmita também ocupa esse espaço", diz Salay. "O SUS vai lá dar vacina, tem atividade sobre pobreza menstrual, tem celebração de Dia das Mães e Natal." Ali, são entregues 500 refeições por dia, de segunda a sexta. Os preparos mais disputados são o cupim, o frango assado e o estrogonofe, mas tem também feijão-tropeiro com arroz e batata grelhada. Cursos para formação de cozinheiros são realizados com frequência. Alguns talentos formados ficam por ali mesmo, como boa parte da equipe atual. O projeto distribui cestas básicas para famílias, mas também beneficia outras pessoas além de quem vive no Viva Jardim Julieta, diz Valdirene Frazão, 53, presidente da ocupação. É comum ver na fila crianças dos conjuntos habitacionais do entorno, moradores de rua e trabalhadores para quem a refeição faz a diferença. Na prática, o Quebrada Alimentada levou para o Jardim Julieta a cultura sertaneja de partilhar a comida e acolher pessoas —prática até agora apoiada por instituições que também entendem a fome como um desafio que precisa ser encarado. QUEBRADA ALIMENTADA R. Renato Serra, 10, Jardim Julieta, região norte. @quebradaalimentada
Projeto Quebrada Alimentada � eleito por j�ri da Folha iniciativa de destaque na gastronomia
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