Proibi��o de bets por Lula pode transferir R$ 25 bilh�es a sites ilegais, diz consultoria

Proibi��o de bets por Lula pode transferir R$ 25 bilh�es a sites ilegais, diz consultoria

São Paulo A proibição de apostas online assinada pelo presidente Lula (PT) na última sexta-feira (25) deve transferir cerca de R$ 25 bilhões por ano do mercado regulado para sites ilegais. A estimativa é da consultoria britânica H2 Gambling Capital, especializada em dados do setor de jogos. Segundo o relatório, as casas licenciadas faturavam o equivalente a cerca de R$ 40 bilhões por ano em receita bruta de jogo —métrica que estabelece a diferença entre o total apostado e os prêmios pagos. A consultoria calcula que cerca de 60% desse valor continuará sendo apostado, agora em sites sem autorização, sem tributação e sem mecanismos de proteção ao jogador. Os sites de apostas esportivas não podem mais operar no Brasil - Rafaela Araújo - 22.set.26/Folhapress A margem da estimativa vai de R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões migrando para a ilegalidade. Para a H2, o resultado depende de duas variáveis: a eficácia do bloqueio dos canais de pagamento para sites no exterior e o tempo que a proibição resistirá a contestações jurídicas e políticas. A primeira variável é um dos pilares da MP assinada por Lula, que proíbe transferências via Pix ou TED para empresas cujo CNAE (código que identifica a atividade econômica da empresa) esteja ligado a apostas online. A segunda está em aberto. Por ser uma medida provisória, a proibição vale por 120 dias e precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional para virar lei e não perder validade. As associações do setor já buscam apoio em frentes parlamentares ligadas ao centrão e, nesta segunda-feira (28), a ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias) pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) a suspensão do texto que vetou o funcionamento das bets no país. Desde 2024, o governo vendeu 85 autorizações a R$ 30 milhões cada, com validade de cinco anos. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, não haverá devolução desse dinheiro às casas de apostas. Apesar do cenário de incerteza, a H2 avalia que o mercado provavelmente será reaberto em algum momento de 2027, tanto para apostas esportivas quanto para cassino online. A consultoria também avalia que o mais importante não é o tamanho atual do mercado clandestino, mas o quanto ele cresce. A H2 afirma que cerca de 30% das apostas já transitavam por sites sem licença antes da proibição. Neste cenário, o mercado ilegal saltaria de R$ 17 bilhões para R$ 42 bilhões. Se for considerado o percentual de 41% em apostas nos sites ilegais, dado mais citado em estudos do mercado brasileiro e considerado superestimado pela H2, o salto seria de R$ 28 bilhões para R$ 53 bilhões. Nos dois casos, o acréscimo é o mesmo: R$ 25 bilhões. Os R$ 42 bilhões que o mercado pode atingir com o fim da regulação são próximos dos R$ 41 bilhões que passavam por operadores sem licença em 2024, período anterior à regulação imposta pelo governo Lula. Naquele ano, a maioria do dinheiro ia para empresas com licença em outros países. Agora, com a proibição, a H2 avalia que essas empresas podem deixar o país e o fluxo do dinheiro com apostas iria para operadores que não conseguiram ou não quiseram cumprir as exigências de licenciamento. A H2 se baseia em uma pesquisa feita com 2.451 apostadores brasileiros, feita em novembro de 2025. Mesmo após a regulamentação, 39% dos entrevistados ainda usavam sites sem licença, e esse grupo respondia por cerca de 60% do gasto declarado. "Para esses jogadores, a proibição elimina apenas a opção licenciada; suas contas em plataformas offshore e rotas de pagamento já existem", afirma a H2. A consultoria também compara o caso brasileiro com o da Holanda. Quando o país elevou impostos e impôs limites obrigatórios de depósitos no fim de 2024, cerca de metade da queda no mercado regulado reapareceu em sites estrangeiros. Para a H2, existe uma relação direta com o caso brasileiro: os limites holandeses permitiram que parte dos jogadores apenas gastasse menos, enquanto a proibição total deixa só duas saídas. "Um jogador que não pode apostar em território nacional ou migra para o exterior ou para de jogar, e aqueles que migram levam consigo seus gastos habituais."

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