Problemas de Cuba v�o al�m do embargo

Problemas de Cuba v�o al�m do embargo

A entrevista concedida com exclusividade à Folha por Miguel Díaz-Canel, líder da ditadura socialista cubana, é reveladora da situação na ilha caribenha, cuja população sofre os efeitos de uma política econômica anacrônica, agravados pela intensificação do embargo comercial dos Estados Unidos. Díaz-Canel explica a pobreza e a decadência da atividade no país, sem negá-las, somente a partir das sanções americanas. O embargo merece ser criticado por ser uma medida de força incompatível com a diplomacia pragmática, além de funcionar como desculpa perene do regime para debilidades da gestão pública e infrações de direitos políticos. Mas ele está longe de ser a única causa dos problemas. No início, as restrições eram basicamente americanas. A partir de 1990, novas regras passaram a incluir operações envolvendo outras nações e Cuba. Mas isso nunca significou isolamento total. Diversos países mantiveram comércio e outras relações econômicas com a ilha. A queda da URSS nos anos 1990 fez colapsar a economia cubana, altamente dependente de subsídios dos soviéticos —evidenciando o caráter insustentável do modelo econômico socialista. Mais recentemente, Donald Trump entrou na equação. Em 2025, invadiu a Venezuela, o maior exportador de petróleo para Cuba, interrompendo o fornecimento e agravando uma profunda crise energética. Neste ano, ampliou o alcance do embargo. Segundo Díaz-Canel, o bloqueio dos EUA é o pecado original: "Sem ele, teríamos combustível e não teríamos apagões". O país, entretanto, convive com apagões e déficit crescente de geração de energia desde 2021. Em 2024, houve cortes cotidianos de até 20 horas, em meio a usinas obsoletas, deterioração da infraestrutura e falta de combustível. A interrupção brusca de fornecimento por óbvio impacta o cenário, mas instituições econômicas e política doméstica também importam. Uma sanção externa reduz o conjunto de oportunidades de uma economia, mas não determina como os recursos disponíveis serão utilizados. Na crise dos anos 1990 e, mais recentemente, em 2021, reformas liberalizantes trouxeram algum alívio. Em junho deste ano, foi aprovado um pacote com mudanças radicais para o padrão cubano, como autorização para grandes empresas e bancos privados. Após décadas de economia estatizada e infrações de direitos, são enormes as incertezas e os desafios causados por um regime que produziu miséria e não tem mais razão de ser. editoriais@grupofolha.com.br

Original Source

Read the full article at Www1 →

KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.