O presidente da Polônia, Karol Nawrocki, convocou neste sábado (31) reuniões de crise com representantes dos partidos políticos após um confronto em torno do Tribunal Constitucional, que opõe o governo centrista à direita nacionalista. A polícia polonesa se posicionou na noite de sexta-feira (30) ao redor do Tribunal Constitucional, em Varsóvia, após o anúncio da suspensão do presidente da corte, em meio a uma disputa entre a direita nacionalista que o nomeou e o atual governo centrista. Nawrocki interrompeu seu voo a uma visita ao Senegal e retornou a Varsóvia com urgência. Após se reunir no palácio presidencial com o presidente suspenso do Supremo Tribunal, Zbigniew Kapinski, ele seguiu para a sede do tribunal, cercada por manifestantes e policiais. De acordo com imagens da televisão local, ele atravessou, em meio à multidão, o cordão de policiais equipados com escudos e capacetes para chegar ao órgão judicial máximo do país. Dezenas de policiais da tropa de choque bloqueavam o acesso ao prédio aos inúmeros simpatizantes da oposição, do partido nacional-conservador Direito e Justiça (PiS, na sigla em polonês), reunidos em frente a ele, constatou um jornalista da agência AFP. Esses simpatizantes vêm se manifestando há várias semanas em apoio aos juízes, nomeados pela direita nacionalista quando esta estava no poder. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo O governo do primeiro-ministro centrista Donald Tusk quer a destituição desses juízes, enquanto Nawrocki os defende. "É um golpe de Estado do primeiro-ministro Donald Tusk (...). Ele está pisoteando nossos direitos constitucionais", denunciou à AFP um dos manifestantes, Tomasz Zaleski. Ao longo da noite, figuras da direita radical e da extrema direita se juntaram a eles. A polícia informou ter detido três pessoas após elas tentarem entrar no local. Considerado pela União Europeia como excessivamente dependente do poder político, o Tribunal Constitucional foi um dos pontos de discórdia entre a UE e os nacionalistas entre 2015 e 2023, já que estes últimos defendem a legislação polonesa em detrimento da legislação do bloco. Desde seu retorno ao poder em 2023, Tusk, ex-presidente do Conselho Europeu, promete resolver a crise. Por enquanto, sem sucesso, já que o presidente impede as indicações de seu governo para o tribunal.
Presidente da Pol�nia convoca reuni�es ap�s crise no Tribunal Constitucional e acusa��o de golpe
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